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Abstract
A produção literária das periferias brasileiras a partir dos anos 2000 desafia a estrutura do sistema literário hegemônico. Ela é entendida aqui como marco cultural que pluraliza a produção literária brasileira contemporânea, problematizando e desafiando as estruturas hegemônicas do campo literário brasileiro, de saber e de poder. O presente artigo considera as trajetórias literárias de Lima Barreto, Carolina Maria de Jesus e de João Antônio ao longo do século XX, e, nos anos 2000, da obra Cidade de Deus, de Paulo Lins, a trajetória de Ferréz e a publicação das três edições especiais da revista Caros Amigos/Literatura Marginal – 2001, 2002 e 2004, para comprovar o surgimento de um outro espaço simbólico de produção literária: o paracampo. A proposição desse conceito desestabiliza o campo literário hegemônico, interferindo nas condições e na forma de produção de cultura a partir das periferias brasileiras, por isso a elaboração do conceito para interpretar as especificidades dos objetos literários abordados e como os agentes oriundos das periferias tensionam e interferem nas regras da arte do campo literário. O paracampo, desse modo, é uma proposta epistêmica intercultural que reflete as relações estabelecidas entre os agentes produtores de cultura desde as periferias brasileiras e mesmo para além delas.
