IntelliPaper
Abstract
This research addresses the survey and analysis of data from a family farm property, located in the Vale do Rio Pardo Region – RS, with the general objective to identify and analyze the total cost of growing tobacco on a property small-scale rural and highlight the result obtained with the cultivation of tobacco referring to the 2020/2021 harvest. In addition, the research contemplates relevant aspects about agriculture, tobacco growing and some peculiar characteristics for the cultivation of the tobacco. The present study is classified as a case study, with an exploratory descriptive nature of a qualitative character, the research carried out was bibliographical and documental. The data were collected through visits to the property under study, from September 2020 to May 2021. After collecting the data, it was possible to determine the economic result of the period, obtaining a gross income with the tobacco production in the amount of R$ 116,000.00, making it possible to analyze detailedly the results obtained in the 2020/2021 harvest. It was concluded that tobacco farming is important for the small-scale rural producer of the Vale do Rio Pardo. In the context in which the it is inserted, it has difficulties in relation to the diversification of cultivation in its properties and it is increasingly necessary to plan and control your investments.
Explore Digital Article Text
A presente pesquisa aborda o levantamento e análise de dados de uma propriedade agrícola familiar, localizada na região do Vale do Rio Pardo - RS, com o objetivo geral de identificar e analisar o custo total para a produção de tabaco em uma propriedade rural de pequeno porte e evidenciar o resultado obtido com cultivo da cultura do tabaco referente à safra 2020/2021. Além disso, a pesquisa contempla aspectos relevantes sobre agricultura, fumicultura e algumas características peculiares para cultivo da cultura do tabaco. O presente estudo classifica-se como um estudo de caso, de cunho exploratório descritivo de natureza qualitativa, a pesquisa realizada foi bibliográfica e documental. Os dados foram coletados através de visitas na propriedade objeto do estudo, entre os meses de setembro de 2020 a maio de 2021. Após o levantamento dos dados foi possível apurar o resultado econômico do período, obtendo uma receita bruta com a produção de tabaco no valor de R$ 116.000,00, sendo possível analisar de forma minuciosa os resultados obtidos na safra 2020/2021. Concluiu-se que a fumicultura é importante para o pequeno produtor rural do vale do Rio Pardo. No contexto em que o mesmo está inserido, tem dificuldades em relação a diversificação de culturas em suas propriedades e cada vez mais se faz necessário planejar e controlar seus investimentos.
I. INTRODUÇÃO
A agricultura é o cultivo do solo, por meio de procedimentos, métodos e técnicas próprias. No meio rural há a diversidade de culturas agrícolas, no nosso país destaca-se o plantio da soja, café, tabaco, cana de açúcar, arroz, entre outras. O tabaco encontra-se na categoria da agricultura familiar e a sua maior produção é no sul do país.
Na região Sul do Brasil, o tabaco é uma das atividades agroindustriais mais significativas. Presente em 508 municípios e envolvendo em torno de 128 mil pequenos produtores. Aproximadamente 552 mil pessoas participam desse ciclo produtivo no meio rural, somando uma receita anual bruta de R$ 6,6 bilhões segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A produção alcançou 583 mil toneladas, sendo que deste volume 51% foram produzidos no Rio Grande do Sul, 28% em Santa Catarina e 21% no Paraná (SINDITABACO, 2021).
No Rio Grande do Sul localiza-se o Vale do Rio Pardo, onde concentra-se a maior capacidade de produção de tabaco do estado e também um dos maiores polos industriais de beneficiamento de tabaco no Brasil, onde parte dessa produção é direcionada para outros estados e a outra parte é exportada.
Desta forma a presente pesquisa realizará o levantamento e analise de dados de uma propriedade de pequeno porte agrícola familiar, localizada na Região do Vale do Rio Pardo/RS, tendo como objetivo principal identificar e analisar o custo total e a lucratividade da produção de tabaco em uma propriedade rural de pequeno porte, referente à safra 2020/2021.
Sabe-se que a cultura do tabaco também é alvo de muitas críticas em termos sociológicos por ser uma produção integrada no sentido de alienar a produtor somente a cultura do tabaco bem como fatores ambientais e de saúde pública.
Entretanto este estudo recorta como objetivo geral identificar e analisar o custo total para a produção de tabaco em uma propriedade rural de pequeno porte, bem como evidenciar o resultado obtido com cultivo da cultura referente à safra 2020/2021.
Como principal questionamento norteador indaga-se sobre a lucratividade da cultura que é produzida no sistema de economia familiar na região tendo com isso uma customização natural das propriedades que talvez em sistemas convencionais de produção não seria viável.
II. A FUMICULTURA
Atualmente o Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo e desde o ano de 1993 o maior exportador do produto, destinando cerca de 85% de sua produção anual para a exterior. De acordo com dados da Associação dos Fumicultores do Brasil – AFUBRA a região sul do país é responsável por aproximadamente 97% da produção nacional, destacando-se o Rio Grande do Sul como o maior produtor em fumo em folha do país. Além disso, o Brasil movimenta aproximadamente 6,6 bilhões de reais anualmente no setor, gerando cerca de 2 milhões de empregos diretos e indiretos.
No Rio Grande do Sul a região do Vale do Rio Pardo concentra os municípios com maior capacidade produtiva do estado e também um dos maiores polos industriais de beneficiamento de tabaco no Brasil, onde grande parte desta produção é escoada para os demais estados assim como para o exterior.
Contudo, a cultura do tabaco tem como principal característica ser cultivada principalmente por pequenos agricultores, que possuem suas propriedades rurais com aproximadamente 15 hectares destinando cerca de 20% desta área para a produção do tabaco segundo estudo realizado pela Afubra. O Sinditabaco (2016) destaca ainda que a área restante é reservada para culturas alternativas e de subsistência (35%), criações de animais e pastagens (20%), florestas nativas (16%) reflorestamento (11%). Outro índice considerável é que cerca de 28,7% das famílias não possuem área própria para produção e acabam trabalhando em forma de meeiros (o proprietário da terra disponibiliza parte da propriedade, e o meeiro, por sua vez, ocupa-se de todo o trabalho, repartindo com o dono da terra o resultado da produção) ou em forma de arrendamento. A quadro 1 demonstra o tamanho das propriedades e a quantidade de proprietários por de área que produzem o tabaco.
Quadro 1: Tamanho das propriedades agrícolas produtoras de tabaco Fonte: Sinditabaco e adaptado pelos autores(2016).
| Hectáres | Famílias | % |
| 0 | 44.106 | 28,70% |
| De 1 a 10 | 55.175 | 35,90% |
| De 11 a 20 | 35.415 | 23% |
| De 21 a 30 | 12.907 | 8,40% |
| De 31 a 50 | 4.807 | 3,10% |
| Mais de 50 | 1.320 | 0,90% |
| Total | 153.730 | 100 |
A produção do tabaco é muito significativa para essas famílias, pois o cultivo do fumo representa mais de 50% da renda obtida por elas. Outro fato importante destacado pela Afubra é de que as famílias produtoras de tabaco são compostas em média por 3 integrantes com condições plenas de trabalho.
No entanto, essas pequenas propriedades não produzem apenas tabaco, mas produzem alimentos que auxiliam na sua subsistência. A figura 1 demonstra grande parte das propriedades rurais que são destinadas a preservação de florestas nativas e outra grande porcentagem é destinada a produção de culturas alternativas e de alimentos como: batata, mandioca, feijão, soja, milho, entre outras culturas que servem de alimento no seu dia-a-dia.
{"image_source":{"path":"images/ef86e11a46912ad0d29ddcde5094c370767a4aeb2fbb536b6f4f19505a096537.jpg"},"content":"","chart_caption":[{"type":"text","content":"Fonte: Adaptado de Afubra (2016)."},{"type":"text","content":"Figura 1: Perfil da propriedade dos produtores de tabaco"}],"chart_footnote":[]}
Mesmo o tabaco sendo responsável por boa parte da renda dos produtores rurais eles tem a necessidade de produzirem outras culturas para sua subsistência, e, desta forma, acabam reduzindo seus custos com alimentação da família e animais criados, otimizando o resultado produzido pelo tabaco para a aquisição de novos bens.
III. A CONTABILIDADE NA GESTÃO RURAL
A contabilidade é umas das ciências mais antigas do mundo, sua existência datada desde as primeiras civilizações. A contabilidade surgiu na necessidade de pessoas terem um instrumento que lhes fornecesse informações e dados que auxiliassem e suprissem as necessidades de mensurar e administrar seus bens. Johnson e Kaplan (1993, p. 5) ainda destacam que:
Historiadores demonstraram que informes contábeis têm sido preparados há milhares de anos. Registros contábeis, remontando as antigas civilizações, foram encontrados gravados em blocos de pedra. [...]. A necessidade de registrar sobre transações comerciais tem existido sempre que as pessoas têm comerciado entre si nos mercados de troca.
Segundo Nagatsuka e Oliveira (2000) a contabilidade era desempenhada como um procedimento em que os proprietários de áreas rurais cuidassem de seus bens, como por exemplo, realizando a contagem de seus rebanhos. Desta forma, pode-se notar que a contabilidade era inicialmente mais usada para fins rurais.
O enfoque deste trabalho está voltado para o ramo da Contabilidade Rural, que de acordo com Crepaldi (2012), surgiu através da necessidade de produtores e empresas rurais que realizavam diversas transações de controlar o patrimônio, pois careciam de um método mais complexo de controle.
Neste sentido, Nepomuceno (2004, p. 15) descreve em seu livro que "a atividade rural, como também a industrial, comercial e de produção de serviços, é atividade econômica e, como tal, requer controle financeiro e acompanhamento específico. O autor ressalta que a contabilidade rural deve ser útil para conhecer os resultados obtidos na atividade rural.
Para Rodrigues (et al. 2015) a Contabilidade Rural compreende todos os ramos de atuação praticados dentro de uma propriedade rural. Crepaldi (2006, p. 86) destaca as seguintes finalidades da contabilidade rural:
-
Orientar as operações agrícolas e pecuárias;
-
Medir o desempenho econômico financeiro da empresa e de cada atividade produtiva individualmente;
-
Controlar as transações financeiras;
-
Apoiar as tomadas de decisões no planejamento da produção, das vendas e dos investimentos;
– Auxiliar as projeções de fluxos de caixa e necessidades de crédito;
-
Permitir a comparação de performance da empresa no tempo e desta com outras empresas;
-
Conduzir as despesas pessoais do proprietário e de sua família;
-
Justificar a liquidez e a capacidade de pagamento da empresa junto aos agentes financeiros e outros credores;
-
Servir de como base para seguros, arrendamentos e outros contratos;
-
Gerar informações pra a declaração do Imposto de Renda.
A contabilidade rural tem várias finalidades associadas à forma de gerenciamento da propriedade rural que proporciona informações que auxiliam os produtores e proprietários rurais na tomada de decisões para que tenham o melhor resultado nas produções e atividades exercidas no período.
Em seu artigo Elesbão e Fontoura (2015) relatam o seguinte:
Para que as informações sejam produzidas, a contabilidade de custos deve coletar e registrar dados ocorridos nas mais diversas atividades empresariais, organizar, analisar e interpretar os mesmos, para que posteriormente possa fornecer informações relevantes aos administradores empresariais, e assim possam tomar as decisões corretas à realidade da organização.
Portanto, para que a contabilidade possa fornecer as devidas informações para o acompanhamento e para que possam contribuir na tomada de decisão pelo produtor, primeiramente, devem-se reunir os dados das atividades realizadas no período, para que posteriormente seja feita uma análise destes dados e assim sejam levantadas as informações.
IV. METODOLOGIA
A pesquisa realizada caracteriza-se por ser um estudo de caso descritivo, que Segundo Andrade (2002) citado por Beuren e Rauppe (2006, p. 81) "a pesquisa descritiva preocupa-se em observar os fatos, registrá-los, analisá-los, classificá-los e interpretá-los, e o pesquisador não interfere neles". Ainda de acordo com Beuren e Rauppe (2006) esse tipo de pesquisa também contribuem para identificar as relações existentes em uma determinada população.
Quanto aos procedimentos utilizados para levantamento de dados, a pesquisa foi documental e bibliográfica. De acordo com Beuren e Rauppe (2006) na pesquisa documental, os documentos são classificados em dois tipos: fontes de primeira mão, os que não receberam qualquer tratamento analítico, e fontes de segunda mão, que já foram analisados e tratados analiticamente.
Beuren e Rauppe (2006, p. 86) definem a pesquisa bibliográfica como sendo:
Um problema a partir de referenciais teóricos publicados em documentos. Pode ser realizada independentemente ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. Ambos os casos buscam conhecer e analisar as contribuições culturais ou científicas do passado existentes sobre um determinado assunto, tema ou problema.
A abordagem do trabalho classifica-se em qualitativa, pois o estudo será realizado através de análises mais complexas a respeito da cultura do tabaco. Beuren e Rauppe (2006, p. 92) destacam que "abordar um problema qualitativamente pode ser uma forma adequada de conhecer a natureza de um fenômeno social". Segundo os autores esse modelo de pesquisa é utilizado na contabilidade, pois a mesma é classificada como uma ciência social aplicada. Como é um estudo de caso com o objetivo de fazer uma análise aprofundada do fenômeno, justifica-se o uso desse modelo de abordagem.
A pesquisa observou questões que envolveram a produção de tabaco em uma propriedade agrícola familiar localizada no vale do Rio Pardo, foram apresentados todos os custos que envolvem a produção de tabaco e sua lucratividade, servindo como base para realização do estudo.
V. ANÁLISE DOS DADOS
O presente estudo apresenta o levantamento dos custos de produção ee a lucratividade do cultivo da cultura do tabaco de uma propriedade rural, localizada no município de Herveiras, situado no Vale do Rio Rardo, sendo está à principal fonte de renda da família.
5.1 Apresentação Da Propriedade Objeto Do Estudo
Para realização da pesquisa utilizou-se uma propriedade agrícola familiar de pequeno porte que dispusesse dos dados sobre o cultivo do tabaco. Atualmente, a propriedade dispõe de 34 hectares, sendo que, 10 hectares foram adquiridos, faz aproximadamente 20 anos, e o restante corresponde a herança familiar. A figura 2 demonstra a propriedade que forneceu os dados para a elaboração deste estudo.

Fonte: Google Earth 2016 e adaptado pelo Autor
Figura 2: Propriedade fornecedora dos dados.
Dos 34 hectares da propriedade, 17 hectares são próprios para o cultivo e 17 hectares compostas por mata nativa, mata essa oriunda de reflorestamento e pastagens. Nos 17 hectares que são possíveis ser cultivados, o tabaco é o principal cultivar e, desta forma, proporcionando maior fonte de renda da família.
Para cultivo do tabaco são destinados 6 hectares da propriedade, outros 5 hectares são utilizados como área de moradia, lazer e infraestrutura para colheita do tabaco que exige um espaço grande.
A família mantenedora da propriedade é composta por 4 integrantes, sendo 2 casais. Em grande parte do ano conta-se apenas com mão de obra própria, porém no período de colheita do tabaco emprega-se dois trabalhadores, que auxiliam nas mais variadas tarefas.
5.2 Levantamento dos Custos da Produção do Tabaco
Com ênfase em alcançar os objetivos propostos na pesquisa, o primeiro tópico a ser levantado refere-se aos custos e despesas empregadas na cultura do tabaco na safra 2020/2021, utilizando a absorção de todos os custos de acordo com os recursos utilizados.
Primeiramente realizou-se o levantamento do imobilizado utilizado no cultivo do tabaco. Pelo tabaco ser a cultura de maior influência na renda da família, todo o material utilizado na propriedade está diretamente ligado a ele. Os equipamentos, instalações, implementos e máquinas têm como base o preço praticado no mercado local no ano de 2020, sendo que o preço apurado conforme apresentado no quadro 2 serviu como base para o cálculo da depreciação do imobilizado utilizado na safra de 2020/2021.
Quadro 2: Levantamento do imobilizado utilizado na produção do tabaco.
| Itens | Qntd. | Valor Unitário | Valor Total | Vida Útil | Taxa (%) | Depreciação/Exaustão |
| 1. DEPRECIAÇÃO | ---- | ---- | R$ 246.178,00 | ---- | ---- | R$ 15.990,30 |
| 1.1 Construções e Benfeitorias | ---- | ---- | R$ 130.000,00 | ---- | ---- | R$ 4.500,00 |
| 1.1.1 Galpão | 1 | R$ 35.000,00 | R$ 35.000,00 | 50 | 2 | R$ 700,00 |
| 1.1.2 Estufas de Secagem | 5 | R$ 15.000,00 | R$ 75.000,00 | 25 | 4 | R$ 3.000,00 |
| 1.1.3 Varanda | 1 | R$ 20.000,00 | R$ 20.000,00 | 25 | 4 | R$ 800,00 |
| 1.2 Máquinas e Equipamentos | ---- | ---- | R$ 7.000,00 | ---- | ---- | R$ 500,20 |
| 1.2.1 Tecedeira | 2 | R$ 3.000,00 | R$ 6.000,00 | 15 | 6,67 | R$ 400,20 |
| 1.2.4 Medidor de Temperatura | 5 | R$ 200,00 | R$ 1.000,00 | 10 | 10 | R$ 100,00 |
| 1.3 Utensílios | ---- | ---- | R$ 11.478,00 | ---- | ---- | R$ 1.033,20 |
| 1.3.1 Pulverizador Manual | 3 | R$ 550,00 | R$ 1.650,00 | 10 | 10 | R$ 165,00 |
| 1.3.2 Plantadeira Manual | 4 | R$ 45,00 | R$ 180,00 | 12,5 | 8 | R$ 14,40 |
| 1.3.3 Prensa de Enfardar | 2 | R$ 380,00 | R$ 760,00 | 20 | 5 | R$ 38,00 |
| 1.3.4 Balança de Pesagem | 1 | R$ 390,00 | R$ 390,00 | 20 | 5 | R$ 19,50 |
| 1.3.5 Motoserra | 2 | R$ 1.250,00 | R$ 2.500,00 | 10 | 10 | R$ 250,00 |
| 1.3.6 Semeador | 2 | R$ 130,00 | R$ 260,00 | 20 | 5 | R$13,00 |
| 1.3.7 Marcador de Bandeja | 2 | R$ 45,00 | R$ 90,00 | 20 | 5 | R$ 4,50 |
| 1.3.8 Bandejas de Isopor | 520 | R$ 6,50 | R$ 3.380,00 | 10 | 10 | R$ 338,00 |
| 1.3.9 Arcos | 60 | R$ 12,00 | R$ 720,00 | 20 | 5 | R$ 36,00 |
| 1.3.10 Salitrador Manual | 3 | R$ 180,00 | R$ 540,00 | 10 | 10 | R$ 54,00 |
| 1.3.11 Regador | 6 | R$ 38,00 | R$ 228,00 | 10 | 10 | R$ 22,80 |
| 1.3.12 Trouxas de Ráfia | 250 | R$ 2,50 | R$ 625,00 | 10 | 10 | R$ 62,50 |
| 1.3.13 Inchada | 5 | R$ 31,00 | R$ 155,00 | 10 | 10 | R$ 15,50 |
| 1.4 Veículos e Implementos | ---- | ---- | R$ 97.700,00 | ---- | ---- | R$ 9.956,90 |
| 1.4.1 Trator | 1 | R$ 72.000,00 | R$ 72.000,00 | 10 | 10 | R$ 7.200,00 |
| 1.4.2 Carreta Agrícola | 2 | R$ 3.500,00 | R$ 7.000,00 | 8 | 12,67 | R$ 886,90 |
| 1.4.3 Subsolador (pé de pato) | 1 | R$ 2.200,00 | R$ 2.200,00 | 10 | 10 | R$ 220,00 |
| 1.4.4 Grade Arrastão | 1 | R$ 4.000,00 | R$ 4.000,00 | 10 | 10 | R$ 400,00 |
| 1.4.5 Arado | 1 | R$ 3.900,00 | R$ 3.900,00 | 10 | 10 | R$ 390,00 |
| 1.4.6 Pulverizador | 1 | R$ 7.200,00 | R$ 7.200,00 | 10 | 10 | R$ 720,00 |
| 1.4.7 Envergador | 1 | R$ 1.400,00 | R$ 1.400,00 | 10 | 10 | R$ 140,00 |
| 2. EXAUSTÃO | ---- | ---- | ---- | ---- | ---- | R$ 3.996,00 |
| 2.1 Terra | 6 | R$ 20.000,00 | R$ 120.000,00 | 30 | 3,33 | R$ 3.996,00 |
| TOTAL (1+2) | ---- | ---- | R$ 366.178,00 | ---- | ---- | R$ 19.986,30 |
De acordo com o quadro 2 o custo total com depreciação e exaustão do período foi de R$ 19.986,30 sendo que a depreciação consumiu a maior parcela deste valor com R$ 15.990,30, já a exaustão do período foi de R$ 3.996,00. Dos R$ 19.986,30 que representam a despesa com depreciação, R$ 4.500,00 são despesas das construções e benfeitorias, R$ 1.033,20 correspondem a utensílios utilizados e R$ 500,20 são remetidos as máquinas e equipamentos. Já a depreciação com veículos e implementos totalizou R$ 9.956,96, porém somente 55% deste valor está diretamente ligado ao tabaco, ou seja, apenas R$ 5.476,30 foram consumidos pela produção do tabaco.
Após ser efetuado levantamento do imobilizado utilizado na produção do tabaco, partimos para levantamento dos custos indiretos da propriedade. Por tratar-se de uma propriedade rural, os custos indiretos foram levantados a partir da apuração do quadro do imobilizado. É composto, basicamente, pelas depreciações e energia elétrica que foi consumida no período. Porém, como utiliza-se da terra para obter o produto final, ocorre também a exaustão, ou seja, são os recursos indiretos ligados a produção. O quadro 3 informa os custos indiretos que foram apurados durante a safra de 2020/2021.
Quadro 3: Levantamento dos custos indiretos da propriedade rural Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em dados da propriedade.
| 1. Depreciação de máquinas e equipamentos | R$ 500,20 |
| 2. Depreciação de construção e benfeitorias | R$ 4.500,00 |
| 3. Depreciação de utensílios | R$ 1.033,20 |
| 4. Depreciação de veículos e implementos | R$ 5.476,30 |
| 5. Exaustão da terra | R$ 3.996,00 |
| 6. Energia elétrica | R$ 650,00 |
| Total | R$ 16.155,70 |
De acordo com o levantamento os custos indiretos da propriedade totalizaram o valor de R$ 16.155,70 na safra de 2020/2021. Depois de efetuado cálculo das despesas referente à depreciação e exaustão do imobilizado, levantou-se os custos com a mão de obra utilizada na produção do tabaco.
Como já mencionado anteriormente, a família dispõe de quatro integrantes para a realização das atividades diárias na propriedade, porém, na época de colheita há a necessidade de contratar mais duas pessoas para o auxílio no trabalho.
Inicialmente calculou-se o preço da hora trabalhada, no qual utilizou-se como base de cálculo o preço médio pago na região pelo dia trabalhado dividido por 8 horas diárias, correspondente ao turno de trabalho. Ou seja, dividiu-se R$ 70,00, valor referente ao um dia de trabalho, dividido por 8 horas trabalhadas por dia. Resultante no valor de R$ 8,75 a hora trabalhada .O quadro 4, demonstra os gastos diretos com mão de obra durante a safra de 2020/2021.
Quadro 4: Custos diretos com mão de obra
| MAPA DE APRORIAÇÃO DOS CUSTOS COM MÃO DE OBRA | ||||||
| Itens | Referência | Qntd. | Pessoas Envolvidas | Valor Unitário | Valor Total | Porcentage m (%) |
| 1. SEMEADURA E MANUTENÇÃO | ---- | ---- | ---- | ---- | R$ 1.732,50 | 3,91 |
| 1.1 Preparo do Canteiro | Hh | 20 | 3 | R$ 8,75 | R$ 525,00 | 1,18 |
| 1.2 Semeadura | Hh | 22 | 4 | R$ 8,75 | R$ 770,00 | 1,74 |
| 1.3 Manutenção das Mudas | Hh | 25 | 2 | R$ 8,75 | R$ 437,50 | 0,99 |
| 2. PREPARO DO SOLO | ---- | ---- | ---- | ---- | R$ 3.657,50 | 8,25 |
| 2.1 Preparo do solo | Hh | 87 | 1 | R$ 8,75 | R$ 761,25 | 1,72 |
| 2.2 Aplicação de Herbicidas | Hh | 15 | 1 | R$ 8,75 | R$ 131,25 | 0,30 |
| 2.3 Adubagem | Hh | 25 | 4 | R$ 8,75 | R$ 875,00 | 1,97 |
| 2.3 Plantio | Hh | 54 | 4 | R$ 8,75 | R$ 1.890,00 | 4,27 |
| 3. MANUTENÇÃO DA CULTURA | ---- | ---- | ---- | R$ 4.830,00 | 10,90 | |
| 3.1 Replantio | Hh | 22 | 2 | R$ 8,75 | R$ 385,00 | 0,87 |
| 3.2 Aplicação de Uréia | Hh | 20 | 4 | R$ 8,75 | R$ 700,00 | 1,58 |
| 3.3 Aplicação de Salitro | Hh | 42 | 4 | R$ 8,75 | R$ 1.470,00 | 3,32 |
| 3.4 Capina | Hh | 40 | 6 | R$ 8,75 | R$ 2.100,00 | 4,74 |
| 3.5 Aplicação de Herbicidas | Hh | 21 | 2 | R$ 8,75 | R$ 367,50 | 0,83 |
| 3.6 Desponte | Hh | 36 | 3 | R$ 8,75 | R$ 945,00 | 2,13 |
| 3.7 Aplicação de Antibrotante | Hh | 32 | 2 | R$ 8,75 | R$ 560,00 | 1,26 |
| 4. COLHEITA | ---- | ---- | ---- | R$ 20.790,00 | 46,92 | |
| 4.1 Colheita, Costura e Secagem | Hh | 396 | 6 | R$ 8,75 | R$ 20.790,00 | 46,92 |
| 5. PÓS COLHEITA | ---- | ---- | ---- | ---- | R$ 13.300,00 | 30,02 |
| 5.1 Classificação e Manocação | Hh | 320 | 4 | R$ 8,75 | R$ 11.200,00 | 25,28 |
| 5.2 Enfardação | Hh | 60 | 4 | R$ 8,75 | R$ 2.100,00 | 4,74 |
| 6.TOTAL (1+2+3+4+5) | ---- | ---- | ---- | R$ 44.310,00 | 100 | |
| 7. PRODUTIVIDADE DO TABACO | ---- | ---- | ---- | ---- | R$ 116.000,00 | 100 |
| 7.1 Fumo Virginia PVH 2254 | Arroba | 800 | ---- | R$ 145,00 | R$ 116.000,00 | 100 |
| 8. CUSTO DE MÃO DE OBRA POR ARROBA PRODUZIDA (7/6) | ---- | ---- | ---- | ---- | R$ 55,39 | 38,20 |
Como é possível observar, o quadro 4, demonstra todas as atividades que envolvem mão de obra, desde o preparo e semeio de canteiros até a venda do tabaco. O Quadro compõe-se pelas atividades realizadas, horas trabalhadas, pessoas envolvidas em cada atividade, valor da hora trabalhada e o somatório do valor que foi depositado em cada atividade, também, tem-se a porcentagem que cada atividade utilizou do somatório total das atividades na produção do tabaco. Além disso, o quadro dispõe de um comparativo de quanto foi consumido de mão de obra com a receita produzida na venda do tabaco.
As atividades desenvolvidas para a produção do tabaco foram divididas em subgrupos. Os subgrupos estão divididos da seguinte forma:
Semeadura e manutenção das mudas, sendo que foi aplicado o valor de R$ 1.732,50 para a realização das atividades;
➢ Preparo do solo, foi gasto o total de R$ 3.657,50;
➢ Manutenção da cultura, as atividades desenvolvidas neste subgrupo totalizaram R$ 4.830,00, sendo que para a capina do tabaco utilizou-se de mão de obra contratada;
Colheita, para a realização da colheita do tabaco contratou-se 2 empregados efetivos, a contratação dos empregados resultou em 132 horas de trabalho desenvolvidas por eles no período de colheita. O valor total com a mão de obra na colheita foi de R$ 20.790,00;
Pós-colheita, para a separação de classes, manocação e enfardamento do tabaco, consumiu-se um total de 380 horas de trabalho, o que gerou em um custo de R$ 13.300,00.
O valor total consumido com mão de obra foi de R$ 44.310,00, sendo que na safra 2020/2021 produziu-se aproximadamente 800 arrobas de tabaco vendidas a uma média de R$ 145,00 a arroba, totalizando, desta forma, em R$ 116.000,00. Desta maneira, conseguiu-se estimar o custo de mão de obra por arroba produzida, que foi de R$ 55,39. Também foi efetuado o cálculo da porcentagem do custo com a mão de obra sobre a receita produzida, obtendo 38,20%.
Para finalizar levantamento dos custos realizados com cultivo da fumicultura, serão apresentados os custos diretos com insumos utilizados na produção de tabaco da propriedade.
Assim como para o cálculo do custo com a mão de obra, os custos diretos também foram divididos em subgrupos com as mesmas nomenclaturas. Porém, ao invés, de nomear em atividades, nomeou-se com o nome do produto que foi utilizado em determinada etapa da produção. Obtendo, desta forma, os custos diretos envolvidos com a produção do tabaco. O quadro 5 demonstra como foi realizado o cálculo dos custos diretos.
Quadro 5: Custos diretos com a produção de tabaco
| Mapa De Aproriação Dos Custos Diretos Pelo Método De Custeio Absorção | |||||
| Itens | Referência | Qntd. | Valor Unitário | Valor Total | Porcentagem (%) |
| 1. Semeadura E Manutenção | ---- | ---- | ---- | R$ 2.384,00 | 9,59 |
| 1.1 Lona plástica preta | $m^{2}$ | 110 | R$ 2,25 | R$ 247,50 | 1,00 |
| 1.2 Lona plástica transparente | $m^{2}$ | 120 | R$ 2,75 | R$ 330,00 | 1,33 |
| 1.3 Talagarça de Algodão | $m^{2}$ | 120 | R$ 3,15 | R$ 378,00 | 1,52 |
| 1.4 Substrato Carolina | sc. | 30 | R$ 13,50 | R$ 405,00 | 1,63 |
| 1.5 Sementes PVH 2254 | uni. | 7 | R$ 110,00 | R$ 770,00 | 3,10 |
| 1.6 Fungicida Infinito | l. | 1,5 | R$ 120,00 | R$ 180,00 | 0,72 |
| 1.7 Inseticida Rovral Supra | pct. | 0,25 | R$ 294,00 | R$ 73,50 | 0,30 |
| 2. PREPARO DO SOLO | ---- | ---- | ---- | R$ 8.358,50 | 33,63 |
| 2.1 Diesel Trator | l. | 175 | R$ 3,10 | R$ 542,50 | 2,18 |
| 2.2 Herbicida Gamit 360 sc | l. | 9 | R$ 114,00 | R$ 1.026,00 | 4,13 |
| 2.3 Herbicida Boral 500 sc | l. | 6 | R$ 225,00 | R$ 1.350,00 | 5,43 |
| 2.3 Adubo | kg. | 4000 | R$ 1,36 | R$ 5.440,00 | 21,89 |
| 3. MANUTENÇÃO DA CULTURA | ---- | ---- | ---- | R$ 4.632,00 | 18,64 |
| 3.1 Uréia | kg. | 450 | R$ 1,25 | R$ 562,50 | 2,26 |
| 3.2 Salitre | kg. | 1350 | R$ 2,20 | R$ 2.970,00 | 11,95 |
| 3.3 Inseticida Rovral Supra | pct. | 1,75 | R$ 294,00 | R$ 514,50 | 2,07 |
| 3.4 Antibrotante Prime Plus | l. | 9 | R$ 65,00 | R$ 585,00 | 2,35 |
| 3.5 Herbicida Roundup | l. | 8 | R$ 17,00 | R$ 136,00 | 0,55 |
| 4. COLHEITA | ---- | ---- | ---- | R$ 9.477,50 | 38,14 |
| 4.1 Lenha | $m^3$ | 165 | R$ 55,00 | R$ 9.075,00 | 36,52 |
| 4.2 Fio de Algodão | uni. | 35 | R$ 11,50 | R$ 402,50 | 1,62 |
| 5. TOTAL (1+2+3+4) | ---- | ---- | ---- | R$ 24.852,00 | 100 |
| 6. PRODUTIVIDADE DO TABACO | ---- | ---- | ---- | R$ 116.000,00 | 100 |
| 6.1 Fumo Virginia PVH 2254 | arroba | 800 | R$ 145,00 | R$ 116.000,00 | 100 |
| 7. CUSTO DIRETO POR ARROBA PRODUZIDA (6/5) | ---- | ---- | ---- | R$ 31,07 | 21,42 |
Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em dados da propriedade.
Como é possível observar no quadro 5, os custos diretos aplicados por arroba de fumo produzida foram de R$ 31,07, sendo que totalizou o valor de R$ 24.852,00, representando 21,42% da receita obtida com a venda do tabaco. Este valor dividisse em 4 subgrupos, sendo que para o primeiro subgrupo, semeadura e manutenção, foi responsável por consumir R$ 2.384,00, o segundo subgrupo, preparo do solo consumiu R$ 8.358,50, no terceiro subgrupo, colheita e manutenção, foram aplicados R$ 4.632,00 e, por fim, a colheita dispôs de R$ 9.477,50.
Observa-se o quanto cada material utilizado representou do custo direto total da produção. No item 1 (semeadura e manutenção), consta todos os materiais que se utilizou para produzir aproximadamente 110.000 mudas de tabaco, pois pode haver perdas, tanto no canteiro quanto na lavoura, necessitando de replantio da mesma.
No preparo do solo, constam todos os insumos utilizados para realizar a planta do tabaco, o qual foram utilizados 175 litros de diesel para realizar todas as atividades na lavoura, tais como: lavração, subsolagem, discagem, envergação e aplicação de agrotóxico. Os herbicidas foram aplicados com pulverizador acoplado ao trator, o que resulta em um maior consumo do produto. Como também tem-se o adubo utilizado para produzir 90.000 pés de tabaco.
Para a manutenção da cultura, todos os insumos são utilizados para o desenvolvimento da planta. Contendo os fertilizantes, inseticida, fungicida e antibrotante. Também utilizou-se herbicida para conter as ervas daninhas, mantendo a lavoura sem inços que poderiam prejudicar o desenvolvimento do fumo.
No item 4, consta o que utilizou-se para a secagem e amarração do tabaco nas varas. O proprietário tem eucaliptos em sua propriedade e a lenha utilizada é retirada dali. Porém, para ter o real custo que foi consumido para a secagem da folha do fumo, utilizou-se o preço do metro praticado no mercado.
5.3 Comparativos Dos Custos
Posteriormente, foram levantados individualmente todos os custos empregados na safra 2020/2021 elaborou-se o quadro 6, onde é apresentado o valor de R$ 66.606,58. Ou seja, valor que representa todos os recursos que foram consumidos para produção do tabaco.
Quadro 6: Somatório dos custos empregues na produção de tabaco Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em dados da propriedade.
| 1. Custos com mão de obra | R$ 44.310,00 |
| 2. Custos diretos | R$ 24.852,00 |
| 3. Custos indiretos | R$ 16.155,70 |
Ao apurar os custos totais da produção, foi necessário realizar o cálculo do custo de produção por arroba produzida de fumo. Para isso, precisa-se dividir o custo total pela quantidade de arrobas produzidas, ou seja, R$ 85.317,70 divididos por 800 arrobas, resultando em um custo de R$ 106,65 por arroba produzida. Nota-se que os custos com mão de obra correspondem a 51,94% dos custos totais envolvidos na produção do fumo.
Após ter sido apurado os custos utilizados na produção do tabaco, foi necessário elaborar um gráfico que demonstrasse como foram aplicados os recursos apresentados anteriormente. A figura 3, informa os respectivos valores apurados.
{"image_source":{"path":"images/7107f94aaf5bf5178aadf8bacd52ca4bc571ca52059ffde596fc452df8631ede.jpg"},"content":"","chart_caption":[{"type":"text","content":"Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em dados da propriedade"},{"type":"text","content":"Figura 3: Comparativo da distribuição dos custos"}],"chart_footnote":[]}
Como pode ser constatado, a figura 3 apresenta a porcentagem que cada grupo de custo consumiu do valor total dos gastos envolvidos com o cultivar do tabaco. Sendo que do valor total, os insumos diretos ligados ao produto consumiram 29,13%. Já os recursos com mão de obra utilizaram-se de 51,94% deste valor, enquanto os custos indiretos consumiram 18,94% do valor total empregado na safra 2020/2021.
No figura 3 apresentada, fica evidente o elevado percentual de recursos consumidos com mão de obra para a realização das atividades envolvidas diretamente com o tabaco.
5.4 Apuração do Resultado da Produção de Tabaco
Levantados todos os gastos empregues na produção do tabaco na safra 2020/2021, perfez a necessidade de fazer o levantamento da receita obtida com a venda do produto, bem como de realizar a apuração dos resultados a fim de obter qual a real contribuição do tabaco para o produtor rural.
Para tal, a receita do tabaco foi mensurada de acordo com a sua produtividade, ou seja, o valor da receita bruta obtida com a venda do fumo se deu através do cálculo da quantidade de arrobas produzidas multiplicada pelo preço de venda da arroba. Sendo que foram comercializadas 800 arrobas ao preço médio de R$ 145,00 por arroba, totalizando em uma receita bruta de vendas no valor de R$ 116.000,00. De forma que se pudesse proporcionar uma melhor evidenciação do resultado apurado na safra 2020/2021 elaborou-se uma Demonstração do Resultado do Exercício. O quadro 7 demonstra a DRE apurada no período.
Quadro 7: Demonstração do resultado da safra 2020/2021 Fonte: Elaborado pelos autores, baseado em dados da propriedade.
| Demonstração de Resultado | SAFRA 2020/2021 |
| (=) Receita bruta da atividade rural | R$ 116.000,00 |
| Venda da produção rural | R$ 116.000,00 |
| (-) Imposto sobre a venda (FUNRURAL) | -R$ 2.668,00 |
| (=) Receita líquida da atividade rural | R$ 113.332,00 |
| (-) Custo da produção | -R$ 85.317,70 |
| (=) Resultado bruto | R$ 28.014,31 |
| Receitas financeiras | R$ 3.372,69 |
| (=) Resultado líquido do período | R$ 31.387,00 |
Como demonstrado na DRE, o resultado líquido do período foi de R$ 31.387,00. Contudo, neste valor é acrescido de R$ 3.372,62 referentes a receitas financeiras. Receitas Financeiras obtidas com queda de granizo, uma vez que o produtor era segurado pela Afubra, para o caso de eventos climáticos que pudessem causar danos em sua produção. Este valor, referente ao seguro, é líquido, visto que já foi amortizado o valor da contratação do mesmo.
Por outro lado, há o desconto da contribuição social (INSS) da receita bruta de venda. O valor de R$ 2.668,00 refere-se ao FUNRURAL, que detêm a taxa de 2,3%, sendo debitado diretamente, pela empresa compradora do tabaco, da receita bruta.
Outro ponto que ganha destaque é o Custo da Produção Rural, ao compararmos o CPV com a receita bruta de venda, nota-se que este consumiu 73,55% da receita bruta obtida no período, o que resultou em um valor de R$ 85.317,70. Este custo torna-se tão expressivo pois utiliza-se dos custos com mão de obra, os custos diretos com insumos e os custos indiretos. Com maior destaque para os custos de mão de obra que consumiram aproximadamente 52% deste valor.
Se analisado o resultado líquido do período em comparação com a Receita Bruta, apresenta um retorno de 26,45% sobre a receita bruta de vendas. Este percentual é dado após todos os custos e despesas já terem sido descontadas do valor de venda.
O resultado positivo com a venda do tabaco poderia ser mais elevado. Porém, foram consideradas as despesas com depreciação do imobilizado, exaustão da terra e energia elétrica que consumiram 13,93% da receita bruta de venda. Visto que deve-se destacar que este percentual poderia ser maior, uma vez que utilizou-se apenas 55% da despesa com a depreciação de veículos e equipamentos, já que o restante desta depreciação é correspondente ao custo das demais culturas produzidas na propriedade.
Cabe ressaltar, também que a exaustão da terra é calculada apenas como custo de oportunidade, visto que ela só é realmente aproveitada como custo para culturas permanentes.
Considerando todos os dados obtidos, percebe-se que a lucratividade proporcionada pelo tabaco foi abaixo do esperado, posto que todos os gastos foram recuperados com aproximadamente 74% da renda total obtida com a produção de tabaco na safra 2020/2021.
VI. CONCLUSÃO
A realização do presente estudo apresentou informações relevantes sobre característica do cultivo da cultura do tabaco em uma propriedade rural localizada no Vale do Rio Pardo, constatou-se no levantamento dos dados que o tabaco é uma das principais culturas cultivadas por pequenos agricultores na região, sendo que esta cultura apresenta boa lucratividade comparada a outras culturas, que são cultivadas em pequenas propriedades, transformando-se em uma das principais fontes de renda da região. No caso da propriedade objeto do estudo a receita líquida referente a safra 2020/2021 foi de R$ 31.387,00
A fumicultura, assim como toda produção agrícola, está sujeita às incertezas advindas de adversidades climáticas como vendaval e granizo, que podem vim a gerar muitas perdas para os produtores. Além dessas questões, observou-se que o hábito de fumar vem sofrendo severas restrições institucionais nos últimos anos, obrigando a cadeia produtiva do tabaco a adaptar o seu processo de produção a cada nova mudança no ambiente institucional. As restrições institucionais têm provocado elevados custos de transação, especialmente, para as agroindústrias.
Este contexto torna o fumicultor elo mais vulnerável aos choques de mercado, tanto no âmbito de oscilações nos preços do produto, quanto com relação a possíveis alterações na curva de demanda em virtude das campanhas antitabagistas que vem ganhando força no mercado. Entretanto ficou constatado que, devido à estrutura minifundiária de que dispõem o custo de oportunidade inerente à substituição do fumo, ou até mesmo à diversificação de culturas, precisa ser trabalhada de forma continua com os agricultores, pois os mesmos não estão preparados para essa transição de culturas de forma imediata.
O estudo por ser de natureza qualitativa não visa generalização dos achados sendo uma análise de profundidade de um caso concreto. Como sugestão de novos estudos seria importante aprofundar estudo sobre cultura do tabaco, analisando a diversificação na produção rural da região e entender o porquê essa diversificação ainda não atinge números expressivos, sendo este um tópico emergente e a análise do reflexo dessa diversificação precisa ser analisada de forma estratégica.
Conflict of Interest
The authors declare no conflict of interest.
Ethical Approval
Not applicable
Data Availability
The datasets used in this study are openly available at [repository link] and the source code is available on GitHub at [GitHub link].
Funding
This work did not receive any external funding.
References
Cite this article
Special Issue
Launch a focused special issue to highlight research, emerging trends, and expert insights in your academic field.