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Abstract
Design and Good Living are interconnected concepts that promote quality of life, especially invulnerable territories. Design acts as a tool for social change, creating aesthetic and functional solutions that meet physical, emotional, and cultural needs. Buen Vivir, based on the Andean indigenous worldview, prioritizes harmony between humans, nature, and the universe, focusing on peripheral communities. This article presents examples of the resignification of spaces in the global south, based on the theory of Biophilia by Edward Wilson, Stephen Kellert and Alberto Acosta, showing how biophilic design restores the human connection with nature, favoring Buen Vivir.
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O Design e o Bem Viver, são conceitos interligados, que promovem a qualidade de vida, especialmente em territórios vulneráveis. O design atua como uma ferramenta para mudanças sociais, criando soluções estéticas e funcionais que atendem às necessidades físicas, emocionais e culturais. O Bem Viver, baseado na cosmovisão indígena andina, prioriza a harmonia entre humanos, natureza e universo, focando em comunidades periféricas. Este artigo apresenta exemplos de ressignificação de espaços no sul global, fundamentados na teoria da Biofilia de Edward Wilson, Stephen Kellert e Alberto Acosta mostrando como o design biofílico restaura a conexão humana com a natureza, favorecendo o Bem Viver.
I. O DESIGN E O BEM VIVER
O ser humano é indissociável da natureza, embora a tendência humana de modificar os espaços naturais tenha alterado essa relação de maneira significativa, levando a uma perda gradual da consciência dessa união. No entanto, diversos pesquisadores e especialistas em planejamento urbano e áreas afins têm se dedicado a esse debate, fomentando discussões sobre como reavaliar nossa interação com o ambiente em que vivemos. Essas conversas não se limitam apenas a repensar nossa abordagem em relação com o lugar, mas também abrangem a busca por formas de torná-lo sustentável, considerando os desafios contemporâneos como a influência da globalização e do capitalismo que transcendem a uma mera reflexão.
A relação do ser humano com o espaço que o cerca envolvem o ambiente construído, ambiente natural, o desenvolvimento de políticas destinadas a aprimorar as condições de saúde tanto da população quanto do planeta Terra, que se revela cada vez mais insustentável diante da busca pela "evolução" que a humanidade procura.
Em a "Carta da Terra" (1992, p. 1), documento concebido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, conhecida como Rio-92, destaca esse ponto de vista. O preâmbulo enfatiza a necessidade de reconhecer a interdependência global e o destino comum da humanidade, ressaltando a importância de construir uma sociedade global pacífica, justa e sustentável baseada no respeito a natureza, aos direitos humanos, na justiça econômica e na cultura da paz.
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo se torna cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações. (Carta da Terra, 1992, p.1).
Essa perspectiva ecoa as ideias apresentadas pelo economista Alberto A. Costa (2016) "O Bem Viver". Neste livro, O Bem Viver se apresenta como uma oportunidade para construir coletivamente uma nova forma de vida. Trata-se de bem conviver em comunidade com a natureza, inspirado na reciprocidade e na solidariedade. Buscando a colaboração e não a concorrência. Dentro do capitalismo, isso é impossível.
Neste contexto, no livro "Cidades para pessoas" (2013), Jan Gehl examina como o planejamento urbano, desde os anos de 1960, tem falhado em considerar as necessidades humanas fundamentais, como a conexão com a natureza, enquanto prioriza objetivos como produção, crescimento econômico e lucro. Ele argumenta que nas antigas cidades, o planejamento começava com o paisagismo, enquanto hoje em dia começa com a construção dos prédios. Gehl declara que esse tipo de planejamento urbano não é humanista, não prioriza as necessidades das pessoas e defende que é possível conceber algo melhor, mesmo numa sociedade capitalista.
Uma preocupação crescente com a dimensão humana no planejamento urbano reflete uma exigência distinta e forte por melhor qualidade de vida urbana. Existem conexões diretas entre as melhorias para as pessoas no espaço da cidade e as visões para obter cidades vivas, seguras, sustentáveis e saudáveis (Gehl, 2013, p, 7)
Gehl (2013), enfatiza que o rápido crescimento das áreas urbanas densamente povoadas ocorreu em meio a administrações governamentais que ofereceram pouco espaço para o encontro, o debate público, as trocas que anteriormente ocorria nos espaços em comum das cidades. Isso contribuiu para o desenvolvimento de modelos urbanos pautados em otimizar questões como o crescente tráfego de automóveis, buscando acomodar um novo ritmo de vida, sem levar em considerações a vida na terra como um todo.
Wilson (1984), enfatiza a importância da "Biofilia" a conexão intrínseca entre os seres humanos e o ambiente, como fundamental para o desenvolvimento de um mundo saudável e sustentável. Ele defende que essa ligação exige comportamentos e pensamentos de unidade, essenciais para garantir um futuro viável. Embora atualmente está cada vez mais difícil encontrar espaços que despertem a biofilia nas pessoas, sua existência e desenvolvimento como comportamento ativo parecem ser uma das poucas esperanças para que a humanidade não destrua a natureza nas próximas décadas.
Há a necessidade de estarmos integrados a natureza, porque somos natureza, não estamos à parte. Quando perdemos esta conexão, nos sentimos afetados. Wilson ressalta que a biofilia está enraizada no conteúdo biológico, então trazer essa integração para as cidades é oferecer bem viver.
Em Pompéia, os romanos construíram jardins ao lado de quase todas as pousadas, restaurantes e residências particulares, a maioria possuindo os mesmos elementos básicos: árvores e arbustos artisticamente espaçados, canteiros de ervas e flores, piscinas e fontes e estatuária doméstica. Quando os pátios eram pequenos demais para abrigar grande parte de um jardim, seus proprietários pintavam quadros. (Wilson, 1984, p, 121)
Evidências disso podem ser observadas em várias práticas comuns: as construtoras, ao desenvolverem condomínio de luxo, frequentemente incluem belos jardins para demonstrar a qualidade de vida do local, mesmo os shoppings mais simples apresentam áreas ajardinadas e as cidades investem em jardins zoológico e botânicos. Durante as férias, as pessoas buscam experiências que as conectem à natureza, independentemente da escala, muitas vezes sem compreender as razões, apenas para se sentirem bem naquele lugar. Inclusive as pessoas de baixa renda tem plantas em suas casas, por mais caótico que seja o entorno.
A falta de investimento em moradias e no espaço público, não atendem as necessidades da população e está gerando desequilíbrios ambientais.
Na busca por moradia, a população de baixa renda é frequentemente levada às periferias, onde encontra o caos, decorrente da falta de infraestrutura. Esses espaços se desenvolvem de maneira desordenada, utilizando recursos escassos. As moradias são geralmente construídas com materiais de sobras, e a infraestrutura é criada pelos próprios residentes, sem o devido conhecimento técnico, essa autoconstrução resulta em armadilha para o próprio morador e seu entorno. Além disso, em épocas eleitorais, políticos aparecem oferecendo permutas com trabalho subalterno, um pouco de tijolos, uma cesta básica em troca de votos da família.
Em diálogo com Bauman em seu livro "Comunidades" (2003, p.106), sobre o assunto:
Ser pobre numa sociedade rica implica em ter o status de uma anomalia social e ser privado de controle sobre sua representação e identidade coletiva: a análise da mancha urbana do gueto norte-americano e da periferia urbana francesa mostra a privação simbólica que torna seus habitantes verdadeiros párias. (Bauman, p. 106) As políticas públicas são desenvolvidas para aqueles que pagam impostos, não para os que, sem condições de moradia, recorrem aos bairros periféricos. Dessa forma, o planejamento técnico para as cidades é uma questão de escolha, já para as comunidades marginalizadas, torna-se um desafio substancial. Problemas que poderiam ser evitados, mitigados ou minimizados acabam exacerbando as catástrofes nessas regiões.
De acordo com Gehl, todos devem ter direitos a moradia digna com espaços abertos, facilmente acessíveis, tanto quanto tem direito a água tratada. Todos devem ter possibilidades de ver uma árvore de sua janela, ou de sentar-se em um banco de praça, perto da sua casa, com espaço para crianças, ou de caminhar até um parque em dez minutos. Bairros bem planejados inspiram os moradores, e isso deve incluir o lugar dos operários, as comunidades periféricas. Uma cidade que não é para todos é uma cidade mal planejada e brutaliza seus cidadãos como um todo. Nos moldamos as cidades e elas nos moldam.
Por décadas, a dimensão humana tem sido um tópico do planejamento urbano esquecido e tratado a esmo, enquanto várias outras questões ganham mais força, como a acomodação do vertiginoso aumento do tráfego de automóveis, além disso, as ideologias dominantes de planejamento - em especial, o modernismo - deram baixa prioridade ao espaço público, as áreas de pedestres e ao papel do espaço urbano como local de encontro dos moradores da cidade. Por fim, gradativamente, as forças do mercado e as tendências arquitetônicas afins mudaram seu foco, saindo das ínter-relações e espaços comuns da cidade para os edifícios individuais, os quais, durante o processo, tornaram-se cada vez mais isolados, autossuficientes e indiferentes (Gehl, 2013, p, 3).
Esse modelo de planejamento urbano vem sendo reavaliado, graças aos debates entre estudiosos, ao comprometimento de instituições e à adesão do público. Isso pode levar a novas propostas para a cidade de concreto.
Nos últimos dez anos, o número de desastres geológicos, terremotos, erosões e inundações devido às chuvas cada vez mais intensas e imprevistas, começarem a fazer parte do cotidiano das cidades espalhadas pelo mundo.
Diante deste contexto, há uma crescente compreensão de que é necessária uma resposta a estes desafios contemporâneos.
Como indica Latour (2020), trata-se de um período de insegurança, mudança e de ressignificação, que solicita a articulação de estratégias criativas a partir de um envolvimento entre público, privado e população. Uma aliança que aos poucos deixa de lado um modelo "racionalista", pautado no "progresso" a qualquer custo, promovendo uma abertura ao fazimento de novas alianças: nesses termos, homem e animal, natureza e espaço, devem ser colocados não mais em ponto de discordância, mas em posição de igualdade.
Segundo o arquiteto Alejandro Echeverri (2004), Sérgio Fajardo, prefeito de Medelin, com o slogan "O bom design educa", liderou entre aos anos de 2004 e 2007 um processo que reuniu líderes locais e especialistas de diferentes áreas para promover uma mudança estrutural em uma cidade caracterizado pela desordem. Foi criado o Projeto Urbano Integrado (PUI), que teve a ética como princípio central na política, com o objetivo de recuperar a confiança no poder público. O projeto envolveu a aproximação, comunicação e respostas aos setores excluídos, utilizando a transformação do espaço público como uma ferramenta de estratégias para restaurar a confiança da população de Medellin.
A experiência do Urbanismo Social em Medellin foi a consolidação de uma postura ética e moral em resposta aos problemas endêmicos de exclusão e violência na cidade. Uma abordagem sistêmica foi adotada, com a definição de um líder comunitário por zona.
A metodologia utilizada foi qualitativa, tendo como base o "Design comunitário", com foco no tema: "Pensar globalmente com aplicação personalizada aos locais", utilizando discursos, ferramentas, crenças e tecnologias que façam sentido na composição de cada ambiente e na identidade da população. O essencial foi propor soluções para as questões mais grave e urgentes.
Considerando os desafios contemporâneos relacionados à concepção de modelos globais de atuação, este estudo alinha-se ainda com as ideias de pesquisadores como Tuan (1983), Manzini (2008), Kellert (2015) e Acosta (2016), reconhecendo a importância de uma integração mais eficaz entre população, planejamento urbano e áreas verdes. Este trabalho também acompanha movimentos comunitários em territórios na cidade do Rio de janeiro, onde instituições ativam atores que se movimentam para transformar cenários negligenciados em espaços significativos, como a conversão de lixões em jardins, praças, hortas, em espaços de convivência, tetos verdes. Essas intervenções promovem a união, o diálogo, a educação e a cidadania. O que se alinha aos princípios de "Integridade Ecológica 7", defendidos pela "Carta da Terra: Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem viver comunitário".
No livro, "Design para inovação social e sustentabilidade", Ezio Manzini (2008) destaca o papel das comunidades na formação de redes e na busca por um futuro resiliente:
O termo inovação social refere-se a mudanças no modo como indivíduos ou comunidades agem para resolver seus problemas ou criar oportunidades. Tais inovações são guiadas mais por mudanças de comportamento do que por mudanças tecnológicas ou de mercado, geralmente emergindo através de processos organizacionais "de baixo para cima" em vez daqueles "de cima para baixo". (Manzini, 2008 p. 61).
Com base nesse pensamento, acredita-se que essas inovações sociais atingem seu potencial máximo quando ocorrem de forma horizontal, permitindo que todos expressem seus pontos de vista e tenham igual poder de fala. Assim como as propostas desenhadas pelo arquiteto Alejandro Echeverri em Medellin. Projeto esse que inspirou o mundo.
Se há possibilidades de imaginação de mundos, faz-se necessário adicionar as premissas do consumo consciente e sustentável, tendo também como base um diálogo entre ser humano e natureza – não mais ser humano versus natureza, mas "humanidade em harmonia com a natureza". Diante dessa lógica, decisões quanto à direitos e deveres podem ser propostos: surge, então, a ideia de se inserir entre os direitos mais básicos de uma população a sua integração com a natureza. Dessa mudança de ponto de vista, pode-se construir um hábito coletivo pelo cultivo. As estratégias do design e o pensamento artístico podem propiciar as ferramentas necessárias ao desenvolvimento dessas comunidades.
Seguindo esse conceito, o geógrafo Tuan (1983) ressalta a importância da formação de uma relação afetiva com o espaço, destacando que para se desenhar experiências mais convenientes, faz-se necessário desenvolver vínculos emocionais e cognitivos com as particularidades e com os seres vivos de um determinado entorno. Nesse ciclo, o autor entende que a experiência do sujeito em um lugar pode ir além de uma mera observação objetiva, devendo ser enriquecida por aspectos como memórias, emoções, narrativas coletivas e pessoais, que em um movimento de experiências. Assim, os sons, os cheiros e as texturas também podem atuar ativamente, contribuindo para uma melhor percepção e compreensão dos ambientes, como propões Steffen Kellert (2105).
Para Tuan (1983), a experiência implica na capacidade de apreensão de vivências, circuito que passa por emergir, atuar, criar a partir de um intenso contato com as coisas. Isso porque, nos termos do autor, um dado nunca pode ser apreendido em sua "essência": o que pode ser conhecido é uma certa realidade, que passa pela capacidade humana de ouvir e de criar ferramentas singulares, visando a responder a um determinado contexto e ambiente. Trata-se de uma adaptação, na medida em que a experiência nunca é a mesma para determinados grupos de indivíduos; depende da conexão que se faz entre elementos. A figura abaixo apresenta o circuito elaborado por Tuan (1983, p. 9), que visa a exemplificar os movimentos do pensamento e da emoção no processo de imersão em uma determinada experiência:
A experiência implica na capacidade de aprender a partir da própria vivência, significa atuar sobre o dado e criar a partir dele. O dado não pode ser conhecido em sua essência. O que pode ser conhecido é uma realidade que é um constructo da experiência, uma criação de sentimento e pensamento, experienciar é vencer perigos, aventurar-se no desconhecido e experimentar o ilusório e o incerto. O indivíduo é compelido a isso. Está apaixonado, e a paixão é um símbolo de força mental. (Tuan, 1983, p..10-11).

Figura 1: Esquema explicativo da experiência humana. Fonte: Tuan (1983, p. 9).
As emoções dão colorido a toda experiência humana, incluindo os níveis mais altos de pensamento. Os matemáticos, por exemplo, afirmam que a expressão de seus teoremas é orientada por critérios estéticos, noções de elegância e simplicidade que respondem a uma necessidade humana. O pensamento dá colorido a toda experiência humana incluindo as sensações primárias de calor e frio, prazer e dor. A sensação é rapidamente qualificada pelo pensamento em um tipo especial. A experiência está voltada para o mundo exterior (Tuan, 1983, p. 9).
Conforme atesta o geógrafo, na experiência humana é comum que os significados de espaço e lugar se entrelacem, gerando uma confusão conceitual. No entanto, é necessário compreender que esses termos possuem distinções significativas. Para Tuan (1983), o espaço deve ser entendido como uma entidade indiferenciada, enquanto o lugar emerge à medida que o conhecemos e o dotamos de valor. O espaço, em sua essência, refere-se a uma dimensão física e abstrata, trata-se de uma noção ampla e objetiva que abarca a extensão tridimensional que nos cerca. Já o lugar é neutro, carece de significado e valoração. Dessa forma, as ideias de espaço e lugar não podem ser definidas uma em relação à outra. Trata-se de um conceito relativo, moldado pelas percepções subjetivas dos indivíduos, influenciado por fatores culturais, sociais e temporais. Para o autor, é através da percepção subjetiva que conseguimos dar sentido ao espaço, transformando-o em lugar.
É com essa perspectiva que Wilson (1986) toma a Biofilia, noção que aponta para o pleno funcionamento e equilíbrio do humano. Urge, então, a necessidade de se discutir a importância da criação de ambientes urbanos mais amigáveis, de modo que possamos integrar a biofilia ao nosso cotidiano. Assim, inferimos que as ferramentas conceituais atreladas ao design podem proporcionar ambientes mais saudáveis e inspiradores para as pessoas, especialmente para aqueles com pouco acesso a áreas verdes e ambientes naturais. A ideia do "Design Biofílico", é incentivar e melhorar o contato entre as pessoas e a natureza no contexto urbano, preservar os recursos naturais, minimizar impactos ambientais, e compor as lacunas que a arquitetura contemporânea tem ignorado.
Ao promover, não apenas emoções positivas, mas também uma melhoria na qualidade de vida das populações de um modo geral, esse entendimento sobre a biofilia gera uma consciência significativa sobre a interconexão entre o ambiente construído, o ambiente natural e o ser humano.
Como exemplo a ser seguido, trazemos o caso do Parque Sitiê (figura 2), um espaço situado no morro do Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro. Anteriormente um depósito de lixo, este local foi transformado em uma reserva ecológica em 2012, por iniciativa dos moradores Mauro Quintanilha, Paulo César e a colaboração do pesquisador da instituição Havard College, o arquiteto Pedro Henrique de Cristo, e ao apoio da editora Arq. Futuro. O espaço remodelado tornou-se um ponto de encontro vibrante, onde ocorreram trocas de conhecimento entre os moradores, gerando alimentos e proporcionando bem-estar. A colaboração é um elemento fundamental para que esse projeto tenha continuidade.
Um exemplo que busca a harmonia com a natureza, a integração entre os indivíduos e o senso de pertencimento que Tuan (1983) relatou é um exemplo notável de design biofílico, servindo de inspiração para comunidades.

Fonte: Google fotos
Figura 2: Parque Sitiê /Vidigal/RJ.
Um outro exemplo de design biofílico em áreas periféricas é o projeto "Teto Verde", implementado na comunidade do Parque Arará/RJ (figuras 3), situada às margens da Avenida Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. O projeto teve origem quando um dos moradores locais, o ambientalista e produtor cultural, Luiz Cassiano Silva (conhecido como Sanduba), decidiu instalar um teto verde em sua residência, com o objetivo de reduzir o calor interno em sua moradia e trazer a presença do verde para aquele ambiente, segundo ele acinzentado. A intervenção resultou em uma redução de aproximadamente 30% da temperatura interna. Em entrevista, Sanduba destacou que os moradores de áreas periféricas devem recorrer ao paisagismo para tornar suas casas mais frescas, e que esse modelo de casa em periferia tem sido replicado. Esse projeto culminou em uma série de palestras e oficinas com o objetivo de difundir e implementar o conceito "Telhado verde" em diversas áreas do Rio de Janeiro. Atualmente, Luís Cassiano oferece oficinas de telhado verde na cidade como profissão, promovendo a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida desses territórios negligenciados.
Neste contexto, a Associação Comunidade Catalisadoras (COMCAT) reuniu diversos participantes de diferentes comunidades com o propósito de construir um telhado verde na Creche Parque do Arará/RJ, sob a supervisão do Sanduba. Este evento ocorreu em 05 de dezembro de 2022 e teve uma duração total de 16 horas.

Fonte: Luís Cassiano Silva
Figura 3: Creche Parque do Arará/RJ
A COMCAT é uma associação que tem como objetivo a promoção de comunidades sustentáveis e tem desempenhado um papel relevante na transformação territórios periféricos. Criando conexões, fornecendo conhecimento, estabelecendo parcerias, promovendo justiça social e responsabilidade institucional. Fundada em 2000 pela ambientalista Theresa Williamson, a COMCAT, se destaca internacionalmente por oferecer ferramentas que transformam o ambiente.
A Horta Comunitária da Maré, no complexo da Maré, no Rio de Janeiro, constitui outro exemplo relevante, tendo surgido em 2021 como um projeto construído como alternativa ecológica visando aprimorar as condições de bem-estar coletivo. Idealizado por Sebastião Antônio (conhecido como Tião – figura 4), Presidente do Instituto Vida Real – Favela da Maré, tem o conceito da biofilia aplicado no lugar, através do design biofílico. Abaixo Tião explica a importância da horta:
A importância dessa horta para nós é trabalhar a autoestima dos nossos alunos, para que eles possam ter o conhecimento do valor que a nossa terra tem, e poder valorizar mais tudo aquilo que temos em mãos, que, muitas das vezes, desperdiçamos. E, quando temos, acabamos só jogando fora. Particularmente para mim é poder ter um alimento saudável, é mostrar para os garotos que podemos ter sim alimentos saudáveis no pouco espaço que temos nas nossas casas, valorizando mais a natureza". Tião – Voz das comunidades – (https://www.vozdascomunida des.com.br/destaques/instituto-vida-real-cria-vaquinha-para-criacao-de-horta-urbana-na-mare-saiba-como-aj udar/)

Fonte: Google fotos
Figura 4: Horta Comunitária Maré/RJ – Marcelo Régua – O Globo
Implementar a biofilia em áreas urbanas, especialmente em territórios periféricos, apresenta desafios consideráveis, devido à complexidade e urgência desses espaços, que muitas vezes carecem de infraestrutura e onde a maioria dos habitantes sobrevivem com um salário-mínimo. Biofilia, uma palavra de origem grega que significa "amor à vida" (bio=vida, filia=amor), é um conceito que destaca a necessidade inata do ser humano de conectar com a natureza. A falta dessa conexão, pode nos afetar negativamente, levando a transtornos mentais, segundo Wilson (1983). Não é por acaso que, quando estamos estressados, buscamos ambientes naturais para relaxar, como o mar, cachoeira. Gostamos de sentir cheiro da terra molhada, ouvir o barulho da chuva, pisar na areia da praia. Isso porque buscamos conexão com a natureza. Desejamos recarregar nossas raízes biocêntricas.
A biofilia é fundamental para promover ambientes urbanos mais saudáveis, sustentáveis e com menor impacto ambiental. No entanto, a implementação bem-sucedida desses projetos enfrenta obstáculos significativos, incluindo falta de conscientização e falta de recursos. É crucial projetar, desenvolver o projeto e garantir a continuidade dos recursos financeiros.
II. O DESIGN BIOFÍLICO
De acordo com o Relatório Mundial das Cidades, publicado pela ONU-HABITAT "Promovendo o futuro das cidades" (2022). A população mundial será 68% urbana até 2050. A estimativa é que a população urbana aumente em 2,2 bilhões de pessoas anualmente até 2050.
Segundo Secretário-Geral das Nações Unidas, Antônio Gutierres, as cidades podem liderar inovações para reduzir as desigualdades, implementar ações para diminuir os impactos climáticos e garantir uma recuperação verde e inclusiva. Essas medidas ajudarão cidades a se adaptarem e responderem a choques e estresses, liderando nossos esforços para um futuro mais sustentável.
A ONU-HABITAT criou a "Agenda Urbana " (2017), que propõe políticas urbanas sustentáveis, estabelecendo padrões e princípios para o planejamento, construção, desenvolvimento, administração e melhorias das áreas urbanas. Esta agenda se articula em cinco pilares principais de implementação: políticas nacionais urbanas; legislação e regulação urbanas; planejamento e desenho urbano; economia local e finanças municipais; e implantação local.
Nesse sentido, acredita-se que as estratégias do ambientalista e designer Stephen Kellert e da arquiteta Elisabeth Calabrese sobre o "Design Biofílico", (2015) pode colaborar para a criação de ambientes mais resilientes.
O design biofílico busca ainda sustentar a produtividade, o funcionamento e a resiliência dos sistemas naturais ao longo do tempo. A alteração dos sistemas naturais ocorre inevitavelmente como resultado da grande construção de edifícios e do desenvolvimento. Além disso, todos os organismos biológicos transformam o ambiente natural no processo de habitá-lo. A questão não é se a mudança ecológica ocorre, mas sim se o resultado líquido ao longo do termo será um ambiente natural mais produtivo e resiliente, medido por indicadores como níveis de diversidade biológica, biomassa, ciclagem de nutrientes, regulação hidrológica, decomposição, polinização e outros serviços ecossistêmicos essenciais. A aplicação do design biofílico pode alterar as condições ambientais de um edifício-ou paisagem a curto prazo, deve apoiar uma comunidade natural ecologicamente robusta e sustentável. (Kellert & Calabrese, 2015, p. 8).
No contexto do Design Biofílico, seus princípios e teorias estão fundamentados em conceitos estabelecidos tanto na psicologia ambiental quanto na biologia. Dessa forma, o Design Biofílico propõe, por meio da arquitetura e do urbanismo, experiências restauradoras para a saúde física e mental dos usuários.
Segundo Kellert e Calabrese (2015), a aplicação eficaz do Design Biofílico em projetos requer a adesão a princípios básicos que são condições essenciais para sua prática bem-sucedida, sendo eles:
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O projeto biofílico requer um compromisso repetido e sustentado com a natureza.
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O projeto biofílico se concentra nas adaptações humanas ao mundo natural que ao longo da evolução – ao longo do tempo têm avançado, a saúde, a forma física e o bem-estar das pessoas.
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O projeto biofílico encoraja um apego emocional a determinados ambientes e lugares.
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O design biofílico promove interações positivas entre as pessoas e a natureza que incentivam uma expansão do senso de relacionamento e responsabilidade para as comunidades humana e natural.
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O projeto biofílico incentiva o reforço mútuo, interconectado e integrado da arquitetura com as soluções (KELLERT; CALABRESE, 2015, p. 6).
O Design Biofílico utiliza diversas estratégias. Não é suficiente inserir um elemento natural em um espaço; é preciso integrar a natureza de forma consciente. A experiência do espaço e do lugar se refere às características espaciais que caracterizam o ambiente natural e que tem promovido a saúde e o bem-estar humano. Três pilares sustentam o Design Biofílico:

Fonte: Desenvolvido pela autora (2024) com base em Kellert, S., & Calabrese, E, (2015). Figura 5: Experiências biofílicas e atributos de projeto
Esses atributos de projeto estimulam os cinco sentidos humanos (visão, audição, paladar, olfato e tato). Segundo Kellert (2015), a presença de estímulos multissensoriais da natureza no ambiente construído pode contribuir muito para o conforto, satisfação, prazer e desempenho cognitivo.
Um espaço com o Design Biofílico aplicado proporciona experiências que transcendem o mero encontro com a paisagem ou o plantio, abrangendo também aspectos de comportamento, regeneração, processos e cuidado. Adquirir conhecimento e consciência sobre esses princípios implica uma conexão mais profunda com a natureza, desencadeando uma transformação mais profunda com seu entorno, incluindo o espaço individual, a rua e a comunidade. Uma comunidade ecológica refere-se a uma comunidade que é assistida e educada com base em vínculos ancestrais com o ser humano subordinado a uma ecologia planetária.
Diante desse discurso, este estudo adota uma abordagem que visa integrar o meio ambiente, buscando compreender os fatores e mecanismos que influenciam o comportamento humano em relação ao ambiente circundante. Reconhecemos que a percepção ambiental abrange um campo multidisciplinar, no qual conhecimentos e perspectivas de áreas como geografia, biologia e design devem se unir para promover as premissas de um mundo conectado à natureza. Essas alianças sugerem uma forte relação com os princípios do Design Social. A conexão entre Design Biofílico e Design Social revela-se, portanto, benéfica, permitindo uma abordagem holística, engajadora e envolvente na relação com os ambientes construídos.
Com essas inspirações teóricas e práticas, em agosto de 2021, entramos na comunidade do Vidigal no Rio de Janeiro, para implementar nossas ideias de biofilia.
Num primeiro momento, na Sede da Ong Horizonte, com criação de jardineira, num segundo momento na casa de alguns moradores, com hortas nas janelas, num terceiro momento em parceria com o Projeto "Comunidade Recicla", uma iniciativa do governo do Estado que limpa as encostas da orla da zona sul do Rio de janeiro, áreas frequentemente usadas como lixões nas comunidades. O coordenador do projeto, José Antônio do Nascimento, nos convidou para participar da construção de um espaço verde na Avenida Niemeyer S/N, Vidigal (figuras 6,7).
Comprometemo-nos a frequentar a área às terças-feiras, das 9 às 12h, desenvolvendo estratégias para tornar o espaço negligenciado em espaço de geração de valores. Optou-se por construir um horto com o auxílio de funcionários e voluntários. Foi feito o desenho do lugar, na divisão de áreas de plantio e distribuição de sementes, mudas, levadas por nós, pelo projeto Comunidade Recicla e pelos moradores. O esforço envolvido nessa ação, foi compensado. O local atraiu mais voluntários e frequentadores, que passaram a perceber o espaço como uma opção de lazer e aprendizado. A extensão de terra que vai da Avenida Niemeyer até o mar hoje também é ponto turístico local.


Fonte: Acervo pessoal
Figura 6.7: lixo retirado da encosta da Avenida Niemeyer/ Vidigal/RJ (28/03/2022)
Nota-se que a conscientização sobre a importância do meio ambiente está se espalhando. Tanto entre aqueles que têm a capacidade de tomar decisões significativas quanto entre a população em geral. Isso expressa que as pessoas em posições de influência e autoridade, como governantes, empresários e líderes de organizações, estão levando em consideração questões ambientais em suas escolhas e ações. Além disso, a conscientização ambiental também está crescendo entre os cidadãos comuns, que estão se tornando mais atentos aos impactos de suas próprias ações no meio ambiente.

FonteAcervo p: essoal

Figura 8: Entrada atual com a horta implementada (2023.1)
Acervo pessoal
Figura 9: Distribuição de mudas (2022.2)
III. METODOLOGIA
A pesquisa foi desenvolvida com um caráter qualitativo, desdobrando-se em um estudo exploratório de espaços distintos. Propusemos atividades que funcionassem como propostas para o bem viver, levando em consideração que esta pesquisa teve início em março de 2021, durante a pandemia COVID 19. Nosso objetivo foi promover a geração de renda e segurança alimentar, ao mesmo tempo que buscamos incentivar uma educação ecológica e um estilo de vida focado na valorização do indivíduo e do espaço coletivo.
Conforme Carlos Gil (2008), a pesquisa qualitativa é bastante flexível, possibilitando a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado.
A primeira etapa foi uma visita nos territórios, para entender o funcionamento e buscar inspirações. Onde foram realizadas entrevistas informais semiestruturadas com moradores locais e agentes que atuam na comunidade de acordo com as regras e permissões da Câmara de Ética em Pesquisa da PUC-Rio – CEPq/ PUC-Rio.
A escuta ativa junto aos participantes permitiu compreender suas perspectivas em relação ao espaço. Como pergunta central foi: Você gosta da comunidade onde você vive? Por quê?
A metodologia esteve ancorada nos princípios do "Design Biofílico", "Art Based Research" (ABR), A ABR é um método de investigação qualitativo que utiliza processos artísticos para compreender a subjetividade da experiência humana. O termo foi cunhado pela primeira vez por Elliot Eisner (1993-2014), professor de Arte e Educação na Stanford Graduate School of Education. A ABR é uma abordagem que combina os princípios das artes criativas com a prática da pesquisa em diferentes áreas de estudo, como antropologia, sociologia, educação, marketing e pesquisa do consumidor. Atualmente, a pesquisa baseada em arte é empregada em campos como saúde, gestão, ciências sociais e comportamentais, além do setor de tecnologia.
A relevância da proposta reside no modo como buscamos envolver os participantes nos encontros realizados. Incentivando a observação do ambiente ao redor, a valorização local e a busca por soluções sustentáveis. Por meio de ações práticas, como revitalização de áreas verdes.
Este trabalho está alinhado aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 3, 4,11 e 17), que fazem parte da chamada "Agenda 2030". Trata-se de um pacto global assinado durante a Cúpula das nações Unidas em 2015, pelos 193 países membros.
IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O projeto propôs atividades lúdicas de artes e design que incentivassem a prática do autocuidado e atividades de lazer. Essas atividades incluíram hortas, jardinagem, oficinas de artes, atividades coletivas de lazer, e a troca de conhecimentos, contribuindo para um processo de sensibilização ambiental e artística. Ao transformar ambientes negligenciados em espaços educacionais, o projeto permitiu a aplicação de sistemas e tecnologias construtivas que podem ser reproduzidos em várias escalas, desmistificando esses processos.
O biólogo Edward O. Wilson em sua obra "Biofilia" (1984), ressalta a importância da ligação entre os seres humanos e a natureza para o bem-estar individual e consequentemente, social. Corroborando com as ideias do arquiteto Gehl (2013), Wilson enfatiza que o rápido crescimento das áreas urbanas densamente povoadas ocorreu em meio a administrações governamentais que ofereceram pouco espaço para o encontro, o debate público, as trocas que anteriormente ocorria nos espaços em comum das cidades. Isso contribuiu para o desenvolvimento de modelos urbanos pautados em otimizar questões como o crescente tráfego de automóveis (Mais para os mais ricos), buscando acomodar um novo ritmo de vida, sem considerar o impacto sobre a natureza.
Segundo relatos de entrevistados, a favela do Vidigal, está explodindo em população. As moradias, que tinham antes um andar, agora tem quatro, construídas entre becos e vielas que comprometem a ventilação local. Cada dia mais construções surgem, empilhadas e entrelaçadas. Embora a vista do alto do morro seja deslumbrante, a densidade entre os barracos dificulta distinguir onde uma residência começa e outra termina.
Entendendo isso, desenvolvemos a pesquisa-ação na comunidade, apresentamos o termo "Biofilia" e oferecemos propostas que inspirou moradores.
Uma pesquisa sobre a satisfação com a comunidade revelou que, de um total de 150 participantes, apenas 31 indicaram gostar de onde vivem. A maioria esmagadora, representada por 119 pessoas, expressou descontentamento. Todos os entrevistados, eram moradores do 314 (local mais carente do bairro) e atribuíram essa insatisfação à falta de infraestrutura e a desigualdade local. Esse dado é apresentado graficamente abaixo:
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V. CONCLUSÃO
Este artigo apresentou pesquisa e ação de uma pesquisadora cujas origens na comunidade pesquisada a motivaram a buscar transformações nesse ambiente, empregando arte, design e permacultura. Suas ações práticas realizadas inspiraram todos os envolvidos a buscar soluções para melhorar o ambiente, ampliando seu entendimento em práticas agroecológicas, resgatando saberes tradicionais, sensibilizando a percepção visual e promovendo a educação ambiental.
Esses encontros representaram momentos de organização e alinhamento de ideias em meio ao caos, visando redesenhar os cenários da comunidade de forma mais sustentável, integrada e harmoniosa. A metodologia do Design, incluíram Nuvem de Palavras, Design Thinking e da ABR (Art Based Research), aplicada de maneira sistêmica com os princípios do design biofílico, encantou e provocou os participantes, trazendo ludicidade e permitindo a expressão de sentimentos reprimidos.
É importante ressaltar que essas iniciativas foram conduzidas sem apoio financeiro, destacando o potencial não explorado que poderia ser alcançado com o investimento adequado. Para aprofundar este estudo e alcançar resultados mais significativos, uma série de direções e ações subsequentes podem ser consideradas, incluindo o envolvimento de outros pesquisadores e profissionais de diferentes áreas, documentação, encontros regulares com atividades de educação ambiental, oficinas de arte, oficina sobre o plantio, incorporação de tecnologias (aplicativos), monitoramento, estudo a longo prazo, parcerias públicas privado, avaliação e feedback contínuo, validação e replicação, além de avaliação de impacto.
Esse estudo pode contribuir para o entendimento de como o design pode ser uma ferramenta eficaz na promoção da colaboração em territórios periféricos, abrindo espaço para futuras aplicações em outros contextos. Afinal o bom design educa.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos a comunidade do Vidigal/RJ, ao Comunidade Recicla, A COMCAT e a todos que contribuíram com essa pesquisa.
Conflict of Interest
The authors declare no conflict of interest.
Ethical Approval
Not applicable
Data Availability
The datasets used in this study are openly available at [repository link] and the source code is available on GitHub at [GitHub link].
Funding
This work did not receive any external funding.
References
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