Published On May 6, 2024
Journal Issue LJRHSS Volume 24 Issue 6

School Library as a Mediator of Reader Education in a Secondary School between 2019 and 2022

Dr. Maklina dos Santos Almeida
Dr. Maklina dos Santos Almeida
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Research ID O8Y7T

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Abstract

This scientific article is the result of two internship experiences in literature, the first of which took place between november and december 2019, during the observation internship in literature and the second, between may and june 2022, during the regency internship in literature. These were part of the undergraduate programme in Letters portuguese language at the University for the International Integration of Afro-Brazilian Lusophony (UNILAB-CE), which took place at the Camilo Brasiliense EEM High School located in the district of Antônio Diogo, Brazil. However, this research is limited to the data found in the school library. In this way, the scientific investigation aims to reflect on teh processo of literary mediation presente in the base texts of this research and to analyse, describe and compare how the literacy actions and the functioning of the School Library of the EEM Camilo Brasiliense School occurred between the firs internship carried out at the end of 2019, and the other, in a more recente time, in the first semestre of 2022. The study was based on theorists of literary literacy, such as Rosa (2022), Rocca(2012), Bezerra et al (2022), Alencar (2020), Nikel (2022), Campello (2010), Mesquita (2019), and Fiorovante (2018). The methodology applied was a comparative case study between two periods on the work of literary mediation by the library, and direct observation was carried out, the school’s collection and documents were consulted, and interviews were conducted with a semi-structured questionnaire for the librrian teachers and the teacher of Portuguese language and literature. The results show that a training process has begun for teachers to attend to the library in 2022, organising the categories of the literary collection, which facilitates acces, improving the structure of the physical space, engaging the library with education through the elective subjects offered, and in addition, the 2022 readership, in a post-pandemic context to, has shown a greater interest in Reading literary Works, compared to the readership at the end of 2019, and in addition to best-sellers reads books of Brazilian Literature, and on the recommendation of the teacher librarians. In addition, there are summarised books used for the Reading circle, although this practice was still in the process of being consolidated at the school.

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I. INTRODUÇÃO

A presente pesquisa ocorreu em uma Escola de Ensino Médio localizada no distrito de Antônio Diogo, no Município de Redenção, no interior do Estado do Ceará, no Brasil, e objetiva compreender e descrever o funcionamento da Biblioteca Escolar como agente para a formação do leitor para adolescentes. O interesse por este trabalho adveio da realização do estágio de regência em literatura ao final da graduação em licenciatura em Letras-língua portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB-CE).

Desta forma, o estudo pautou-se em teorias da leitura literária, da formação do leitor e também no estágio supervisionado como pesquisa, no qual se alinha teoria e prática na vivência do professor de literatura em formação. Segundo, Castilho, Castilho e Castilho (2020, p.3), "o motivo fundamental do estágio supervisionado é possibilitar ao licenciando a construção de uma práxis para que ele possa ver e conhecer e reconhecer espaços educativos, entrando em contato com a realidade sociocultural da comunidade e das Instituições de ensino.

Desta forma, a Escola E.E.M. Camilo Brasiliense, ambiente deste estudo, reflete a sua realidade local quanto ao trabalho de mediação literária por meio da Biblioteca ou Multimeios, com base em sua cultura Institucional, alinhada com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e com a literatura acadêmica da formação do leitor e da biblioteconomia para o letramento literário, com base nos estudos de Rosa (2022), Rocca (2012), Bezerra et al (2022), Alencar (2020), Nikel (2022), Campello (2010), Mesquita (2019), e Fiorovante (2018).

Nesse sentido, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) considera que é importante recolocar a literatura como ponto de partida nas aulas de literatura e intensificar o convívio dos estudantes com as obras, uma vez que a literatura possui uma linguagem artisticamente organizada e enriquece a nossa percepção e visão de mundo (BNCC, 2017, p.491).

A presença da Biblioteca Escolar é legitimada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), criada em 1945 e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), criado em 1946, pois ambos Órgãos Internacionais são envolvidos com a promoção de acesso à educação, à informação, à liberdade de expressão e, à biblioteca na Escola (FIOROVANTE, 2018, p.79).

Segundo a autora, o exercício do direito de acesso à leitura, à escrita e à expressão é uma forma de possibilitar a sociedade para que esta participe coletivamente na vida pública, ou seja, como instrumento de inclusão social (FIOROVANTE, 2018, p.83). Assim, a autora reflete que a variedade de denominações para a Biblioteca nos leva a pensar nas diferentes condições da biblioteca, condições estas que podem favorecer o acesso ao conhecimento ou dificultar esse acesso.

Conceitualmente, a Biblioteca é compreendida pela International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA) (2015,p.19) como:

Um espaço de aprendizagem físico e digital na escola onde a leitura, pesquisa, investigação, pensamento, imaginação e criatividade são fundamentais para o percurso dos alunos da informação ao conhecimento e para o seu crescimento pessoal, social e cultural. Este lugar físico e digital é designado por vários termos, por exemplo, centro de media, centro de documentação e informação, biblioteca, centro de recurso, biblioteca/centro de aprendizagem, mas biblioteca escolar é o termo mais utilizado e aplicado às instalações e funções.

Para a IFLA (2015, p.22) é papel da Biblioteca funcionar como um centro de ensino e aprendizagem que fornece um programa educativo articulado com os conteúdos curriculares, incluindo os objetivos de formação das capacidades e atitudes de uso dos recursos para pesquisa, acesso e ampliação de fontes, como pessoas e artefatos culturais. Essas capacidades também incluem o uso de ferramentas tecnológicas para procurar, consentir e avaliar as fontes, e o desenvolvimento das literacias da leitura e digital; capacidade de pensar e agir criticamente a partir do acesso e análise dos dados e informação possibilitados pelos processos de pesquisa e investigação.

No tocante à literatura, os objetivos são o desenvolvimento de capacidades e atitudes relacionas com a leitura e literacia, experiências de prazer com a leitura, leitura para aprender através de variadas plataformas, assim como a transformação, comunicação e disseminação do texto em múltiplas formas e modos que permitam a compreensão e expansão dos significados (IFLA, 2015, p.22).

A Biblioteca é estudada de forma complexa, pois sua análise envolve as áreas de educação e de biblioteconomia, isto é, não é compreendida por uma única lógica (FIOROVANTE, 2018, p.90), portanto pode apresentar óticas mais pedagógicas e outras mais estruturais no que se destaca a preocupação com a organização e qualidade das fontes, desta forma, propõe-se uma descrição e análise do papel e funcionamento da biblioteca da Escola de Ensino Médio EEM C.B para a formação do leitor, ao destacar as práticas de leitura dos estudantes que acessam o local, seus interesses e as práticas metodológicas das professoras que trabalham neste ambiente.

No que se relaciona ao olhar do estagiário, e na presente situação, estagiária sob a supervisão de um colega professor, e ao mesmo tempo, professora da Instituição Escolar, destaca-se o que dizem Pimenta e Lima (2006, p.15) sobre o estágio como pesquisa: O estágio era visto como uma prática dissociada da pesquisa, no entanto, a partir da década de 1990, passou a ser discutido no ambiente acadêmico para a formação dos professores, e com isto, elas defendem que a pesquisa no estágio já é uma estratégia, o próprio método para a formação e desenvolvimento dos estagiário. E ainda, segundo Pimenta e Lima 2016, p.21), consiste ainda em uma:

Atividade teórica instrumentalizadora da prática do estagiário, que propicia uma formação intelectualizada e de reflexão da própria prática como professor, isto é, o professor-pesquisador da própria prática, e com isso, capaz de realizar ações críticas como consciente de ser um sujeito historicamente situado.

E no âmbito da Biblioteca, que é o foco deste estudo, a prática como pesquisa, envolve a compreensão dos processos de trabalho inerentes e condizentes com a proposta educativa voltada para a formação de leitores, o fruir literário e de autonomia intelectual dos estudantes devido a potencialidade deste ambiente para a pesquisa e leitura.

II. REFERENCIAL TEÓRICO

Dentre os marcos legais de promoção do livro e das bibliotecas, destaca-se que para a Lei no10.753/2003, denominada de Política do livro, no inciso II, e artigo 1o, compreende o livro como "meio principal e insubstituível da difusão da cultura e transmissão do conhecimento, do fomento à pesquisa social e científica, da conservação do patrimônio nacional, da transformação e aperfeiçoamento social e da melhoria da qualidade de vida." (ROSA, 2022, p.47).

Em 2010, foi instituída a Política das Bibliotecas Escolares, Lei N°12.244, de 24 de maio, que compreende a biblioteca escolar como a "coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura". E no artigo 2o, indica-se a obrigatoriedade de um acervo de livros na biblioteca, de, no mínimo um título para cada aluno matriculado, sendo os sistemas de ensino responsáveis pela sua ampliação e divulgação (ROSA, 2922, p.48).

Segundo a IFLA (2015, p.23), os serviços da Biblioteca incluem a formação profissional do corpo docente sobre leitura e literacia, tecnologia, processos de investigação e pesquisa; um Programa estimulante de literatura/leitura para o sucesso educativo e de enriquecimento pessoal; aprendizagem baseada em investigação e desenvolvimento da literacia da informação; e colaboração com outras bibliotecas públicas, o que torna a Biblioteca como um valor significativo para a comunidade educativa.

Além disso, Rocca (2012, p.12) discorre que a biblioteca deve ser implementada como recurso para apoiar a prática docente e o cumprimento do currículo, participando dos processos de organização e planejamento escolar. O currículo escolar, por sua vez não pode restringir-se ao livro didático ou as tecnologias digitais, pois se assim acontecer, a presença da biblioteca será prescindível, e não poderá provocar as mudanças metodológicas pelos quais se espera, dessa maneira, os professores são responsáveis pela implementação dos recursos educacionais, incluindo o uso potencial da Biblioteca Escolar.

Para Rocca (2012, p.15),

A biblioteca escolar é um recurso educacional de grande valor que deve, ela e seu uso, estar integrado em um projeto curricular e educacional da escola, convertendo-se em elemento ativo que favoreça os processos de ensino e aprendizagem e que apoie o trabalho docente, e em consequência disso, é necessário desenvolver ações bibliotecárias de organização e de gestão dos recursos.

Por conseguinte, segundo o IFLA (2015, p.20-21), "a biblioteca escolar deve ser gerida dentro de uma política que a reconheça como um centro de leitura, pesquisa e produção colaborativa."

Para isso, a IFLA (2015, p.20-21) especifica condições para um Programa de Biblioteca Escolar: Primeiramente, é necessária a qualificação do profissional da biblioteca e que implemente um programa pedagógico para a realização de atividades de ensino e de aprendizagem; a política da biblioteca deve estar em conformidade com as políticas globais e as necessidades da escola, refletindo a sua missão, metas, objetivos e realidade; e deve contar com o apoio administrativo para as instalações, os recursos físicos e digitais, e os recursos humanos para o efetivo impacto da Biblioteca na Escola.

As Diretrizes da Biblioteca criadas pela IFLA (2015, p. 17) também recomendam que os profissionais da biblioteca, professores e a comunidade escolar melhorem as suas competências e conhecimentos digitais e conheçam os princípios da cidadania digital.

Dessa forma, as bibliotecas ampliam as suas possibilidades de pesquisa e investigação,, leitura e colaboração com a criação de conteúdos nas plataformas digitais, de forma que os estudantes poderão ter acesso aos livros e revistas impressas, bem como ao meio digital.

Quanto a isto, Bezerra et al (2022, p.35) defende que para além da discussão sobre as concepções e métodos que proporcionem bons resultados pela prática da mediação literária, é preciso refletir sobre o papel e o lugar da literatura na atual realidade escolar em um contexto mediado pelas novas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), uma vez que nem todos os professores e profissionais da biblioteca se sentem preparados para lidar com a leitura literária presente na informatização e nas redes sociais. Somado a isto, a literatura resiste às mudanças, ocupando um lugar secundário na formação estudantil. Desta forma, esta realidade desafia aos professores da sala de aula e da biblioteca a apresentar a literatura aos estudantes pelas formas adequadas.

A leitura literária, por sua vez, tem uma finalidade diferente, mas complementar á leitura informacional, pois a "leitura literária confere capacidades linguísticas, subjetividades e de posição de ser do indivíduo no mundo, através de possibilidades experienciais além de conhecimentos fechados e objetivos da leitura informativa (ALENCAR, 2020, p.35).

Desta forma, um dos objetivos da educação literária é desenvolver nos estudantes, as competências para lidar com os diversos tipos de leitura, sendo neste contexto que os diversos gêneros textuais literários e seus discursos, ampliam a percepção, as possibilidades de comunicação, construção e reconstrução dos sentidos e das vivencias (ALENCAR, 2020, p.9).

Assim, as bibliotecas escolares podem trabalhar com o texto literário de diversas formas, como a promoção dos saraus, clubes de leituras, rodas de leituras, projetos integrados com os docentes, e a contação de histórias para o desenvolvimento do estímulo do leitor de literatura (NIKEL, 2022, p.34).

A mediação da leitura literária ocorre por diversos gêneros discursivos como os poemas, romances, contos e crônicas, sendo necessário ir além da apresentação das características formais, ao promover espaços de diálogo para a construção de sentidos das leituras, desde a sua motivação, o processo de leitura em si, como a reflexão, e a criatividade liberada com a sua conclusão (NIKEL, 2022, p.31). Ou seja, a leitura do texto literário é dinamizado pelos profissionais atuantes nas Bibliotecas, por meio do acesso aos diferentes gêneros e práticas discursivas, relacionadas aos contextos sociais e históricos, que permitem ao indivíduo compreender as relações com o mundo, e desta forma, tornar-se um leitor competente em informação (NIKEL, 2022, p.35).

A autora prossegue com a afirmação de que a mediação da leitura pela biblioteca escolar, quando realizada por uma prática prazerosa de construção de sentidos, desenvolve as habilidades necessárias para um leitor crítico, e que:

A mediação de leitura por fruição, característica da leitura literária, poderia ser o passo fundamental para a criticidade e compreensão de mundo, e consequentemente resultar em melhores práticas de pesquisa e uso de fontes informacionais, no entanto, o letramento literário é abafado pela prática escolar de aquisição de conteúdos unicamente informacionais (NIKEL, 2022, p. 42).

Quanto ao meio físico, importante para a consolidação das ações de ensino e de aprendizagem na biblioteca, a IFLA (2015, p.37) justifica: "O papel educativo da biblioteca escolar deve refletir-se nas suas instalações." Não há padrões universais para a dimensão e design, mas há critérios que norteiam o planejamento como: -Localização central, no rés do chão; - Acessibilidade e proximidade relativa às áreas de ensino; - Fatores de ruído, com pelo menos algumas partes da biblioteca livres de ruído externo; - Luz adequada e suficiente, seja natural ou artificial; - Temperatura ambiente adequada a fim de garantir boas condições de trabalho durante todo o ano, e a preservação das coleções; - Design adequado para utilizadores com necessidades especiais; -Área suficiente para permitir a organização da coleção de livros, ficção, não ficção, de capa dura e de bolso, jornais e revistas, recursos não-impressos, espaços de estudo, áreas de leitura, áreas de trabalho em computador, áreas de exposição e áreas de trabalho para a equipe da biblioteca; - Flexibilidade para permitir a multiplicidade de atividades e futuras mudanças no currículo e na tecnologia.

No tocante à organização do espaço, a IFLA(2015, p.39) recomenda que as bibliotecas devem disponibilizar:

  • Área de estudo e pesquisa: espaço para o balcão de informação, catálogos, computadores com ligação à internet , mesas para estudo e pesquisa, materiais de referência e coleções básicas;

  • Área de leitura informal: espaço para livros e periódicos que estimulem a literacia, a aprendizagem ao longo da vida e a leitura por prazer;

  • Área de ensino: espaço disponibilizando lugares para pequenos grupos, grandes grupos e ensino formal para uma turma inteira, com tecnologia adequada e espaço de exposição, sendo frequentemente recomendada a existência de lugares sentados para 10% da população estudantil;

  • Produção de media e de projetos de grupo: espaço para alunos individualmente, em grupo e turma (também conhecido por "laboratório" ou "makerpaces");

  • Área administrativa: espaço para o balcão de atendimento, gabinete de trabalho, espaço para o processamento de materiais da biblioteca e armazenamento para equipamentos e materiais.

Já, no quesito desenvolvimento da coleção, a IFLA (2015, p.40) instrui que a biblioteca precisa fornecer uma variada gama de recursos físicos e digitais, incluindo materiais novos e relevantes.

ebooks (de referência, ficção e não ficção), bases de dados em linha; jornais e revistas em linha, jogos de vídeo e materiais de aprendizagem multimídia, e recursos profissionais, tanto para a equipe da biblioteca como para os professores, como recursos sobre educação, metodologias de ensino e uma coleção de recursos para pais e educadores.

De acordo com Mesquita (2019), a biblioteca, além de ser uma importante extensora pedagógica do processo de ensino-aprendizagem, é uma difusora cultural por meio do seu acervo. No mesmo trabalho, Mesquita (2019) ao citar Pimentel (2007, p.25) registra que a biblioteca deve ser também um espaço perfeito para que todos que nela atuam, tenham condições de utilizá-la como uma fonte de experiência e formação para toda a vida. Desta forma, é essencial que a escola invista no espaço da biblioteca e estimule os seus alunos a fazerem uso. Silva (1999 apud MESQUITA, 2019) já denunciava a situação de falta de atenção às bibliotecas pela gestão pública e escolar.

De acordo com a autora Campello (2010), para falar da biblioteca escolar como espaço de aprendizagem, é necessário, inicialmente, falar dela como espaço físico e entender de que maneira os profissionais a veem". Para ela, a experiência que cada professor tem da biblioteca é muito variada e, com isso, como ela expressa na página 128, a biblioteca por ser muitas vezes um espaço improvisado, por não conter um espaço organizado ou mesmo que possua materiais atualizados para uso didático do professor, muitos professores não integram o material presente na biblioteca às suas práticas de ensino e, com isso, a biblioteca fica limitada apenas aos serviços de empréstimos de livros e consulta ao acervo, com isso, a autora sugere que fatores como infraestrutura adequada, um bom acervo, profissionais qualificados para lidar com a informação são ideais para possibilitar a integração do uso da biblioteca às práticas pedagógicas dos professores (CAMPELLO, 2010, p.128).

Nesse aspecto (Gavião, 2016, p.52) chama atenção para o fato de que normalmente as crianças consideram a leitura uma atividade divertida, gostam de ouvir histórias de fantasia, mas quando chegam no Ensino Fundamental II, no período da pré-adolescência e adolescência, a leitura, na maioria dos casos deixa de ser uma atividade de prazer, e eles perdem o interesse, porque já não escutam histórias contadas com tanta frequência, pelos professores, e dificilmente se interessam a buscar uma obra sozinhos. Logo, torna-se um desafio promover a leitura literária com a articulação entre a sala de aula e a biblioteca escolar.

Bezerra et al (2022, p.35), expõe que além da discussão sobre os métodos e práticas de leitura, é preciso refletir sobre o papel e o lugar da literatura na atual realidade escolar, principalmente no contexto da leitura literária nas novas Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICS) e em redes sociais, o que ainda constitui um desafio para a formação docente. Acrescenta-se que a literatura resiste às mudanças no cenário social e educacional, passando a ocupar, muitas vezes, um lugar secundário na formação dos estudantes, e esta realidade provoca a pensar sobre o que acontece com a literatura na sociedade contemporânea, e como apresenta-la aos estudantes, dada à sua importância na educação e na formação humana em sua integralidade.

Além disso, a biblioteca é um setor da escola zelado por um profissional, responsável por administrar, organizar e conservar atualizada a coleção de livros, e desempenha o principal papel de mediador, ao orientar os estudantes na escolha dos materiais e dar apoio aos professores quanto à escolha e acesso aos materiais e, ainda, manter um ambiente acolhedor para os usuários do espaço, para que este explorem com segurança o conhecimento disponível nas fontes de informação do espaço. Observou-se também que o ambiente estimula atividades recreativas, pois possui diversos jogos educativos, como verifica Campello (2010, p. 130), a biblioteca também é usada na escola como ambiente de lazer, de refúgio e de entretenimento.

III. METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, de natureza exploratória, cujo método é o Estudo de caso. A vivência ocorreu entre os meses de maio, junho e agosto de 2022 durante o Estágio em literatura do curso de licenciatura em Letras-Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB-CE), e na presente situação, além de ser um estágio, era também, o local de trabalho da autora, já atuante como professora na Instituição desde março de 2022, ou seja, desde o último semestre da graduação. Vale ressaltar, que este estudo é, também, uma continuação de um outro estágio de observação em literatura, que foi realizado em novembro e dezembro de 2019, ou seja, em um contexto anterior à pandemia por COVID-19. Deste modo, foram observadas diferenças no comportamento dos leitores estudantes do ano de 2019, e do público estudantil de 2022. Deste modo, este estudo guiou-se pelos relatórios de dois estágios em literatura, um de observação, e o outro de regência.

Logo, a primeira etapa desta investigação consistiu leitura e no fichamento dos textos acadêmicos para a elaboração do referencial teórica, e na observação do ambiente, no acesso direto à bibliografia impressa dos livros literários, que em 2019, foi realizada uma busca ativa destas obras, e as tipologias de classificação foram criadas na própria pesquisa. No entanto, já, em 2022, as professoras da biblioteca inseriram as tipologias expostas nas estantes. Além disto, foram lidos os documentos do Projeto Político Pedagógico, e o Regimento da Escola acerca da biblioteca e sobre as competências e habilidades de leitura esperadas. Após a observação, sucedeu a entrevista com as docentes atuantes na biblioteca escolar, tanto no ano de 2019, quanto no ano de 2022, cujas informações foram anotadas à mão e depois digitadas para o relatório, e estão apresentadas nos resultados.

A terceira etapa compreendeu o diálogo com questionário semiestruturado com o professor regente, ou seja, da disciplina de língua portuguesa e literatura, e que supervisionava as ações do estágio de regência em literatura. As respostas também foram escritas à mão e digitadas no relatório de estágio.

Já, a quarta etapa consistiu na seleção de informações referentes à biblioteca e às entrevistas com as estudantes que participaram da pesquisa do estágio de observação em literatura no segundo semestre de 2019, com as entrevistas, e observação dos hábitos e uso da biblioteca pelos estudantes do ano de 2022, para realizar o comparativo entre a leitura literária presente na Escola entre os dois públicos, bem como descrever e analisar as mudanças observadas e coletadas. E para concluir, ocorreu a escrita do artigo científico.

4.1 Biblioteca Escola da EEM Camilo Brasiliense Entre Novembro e Dezembro de 2019

A Escola Camilo Brasiliense é uma Instituição Pública de Ensino Médio regular e de Educação de Jovens e Adultos (EJA), localizada no centro do distrito Antônio Diogo, do Município de Redenção, no Estado do Ceará. Ela é vinculada à CREDE 08, referente ao Maciço de Baturité no Ceará. Esta Escola foi escolhida para o estágio de regência em literatura (120 h/a) pela oportunidade de continuar uma pesquisa iniciada na mesma Instituição durante o Estágio de Observação em literatura (60 h), e também, por ser o local de trabalho como professora cursando o último semestre da graduação em Letras-língua portuguesa, tendo se graduado em agosto de 2022.


Imagem 01: Biblioteca escolar entre novembro e dezembro de 2019
FONTE: AUTORA, 2019

A Biblioteca Escolar, ou Multimeios, como ela é nomeada atualmente, contém uma quantidade considerável de obras clássicas de referência internacional como A Divina comédia, de Dante

Alighieri, Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiéviski, Édipo Rei, de Sófocles, entre outros, e também obras best sellers, literatura infanto-juvenil clássica em língua portuguesa, best sellers contemporâneos para o público juvenil como Harry Potter, As crônicas de gelo e fogo, obras dramáticas como O Alto da compadecida, e obras em quadrinhos dos clássicos da literatura, e livros sobre a literatura afro-brasileira, conforme orienta a Lei N.10.639, de 2003, que instituiu a obrigatoriedade do ensino de História da África e cultura afro-brasileira nas escolas. Nesse interim, há o livro História e cultura afro-brasileira, da autora Rejiane Augusto de Mattos, publicado pela Editora Contexto, obra também trabalhada nas Universidades. Isto é, a biblioteca possui uma coleção maior de acervos, apresentando em conformidade nesse aspecto, com o que diz a Federação Internacional de Associações e Instituições de Biblioteca (IFLA, 2015, p.40) sobre a vasta gama de recursos físicos e digitais.

Encontram-se também obras clássicas do teatro, mostrando que a Instituição dispõe de recursos para atividades de aulas e projetos literários e artísticos. O material em quadrinhos também é um atrativo para atrair aqueles que não têm o hábito de ler livros convencionais ou para o leitor que gosta da modalidade sinta-se instigado a ler as obras originais.

Realizou-se uma busca ativa pelos livros da biblioteca da Escola de Ensino Médio C. B, no ano de 2019 e naquele período, a biblioteca não dispunha de sistema informatizado. Diante disso, a pesquisa classifica o acervo literário em tipologias: 1. Autobiografia: O Diário de Mary Berg: Memórias do gueto de Varsóvia;

  1. Biografia: Kafka e a marca do corvo, de Jeanette Rozsas; Castro Alves: perfis brasileiros, de Alberto da Costa e Silva;

  2. Literatura e cultura Afro-Brasileira: Cadernos Negros: Contos Afro-Brasileiros, v.30, do grupo Quilombhoje; Lendas negras, de Júlio Emílio Braz e Salmo Dansa; De olho em Zumbi dos Palmares: histórias, símbolos e memória social, de Flávio dos Santos Gomes; Muito longe de casa: memórias de um menino-soldado, de Ishmael Beah 4. Crítica literária: História e cultura afro-brasileira, da Regiane Agusuto de Mattos;

  3. Leitura clássica da Língua Portuguesa: Contos escolhidos, de Machado de Assis; O Guarani, de José de Alencar; Cinco minutos, de José de

Alencar; A normalista, de Adolfo Caminha; Quincas Borba, de Machado de Assis; Os Maias, v.2, de Eça de Queiroz; Memórias de um sargento de milícias, de Manuel A. de Almeida; Memórias póstumas de Brás Cubas.de Machado de Assis; Menino de engenho, de José Lins do Rego; Incidente em Antares, de Érico Veríssimo.

  1. Romance brasileiro: O encontro marcado, de Fernando Sabino;

  2. Texto dramático: William Shakespeare e seus atos dramáticos, de Andrew Donkn; Antologia do vampiro literário, do organizador Bruno Berlendes de Carvalho. Apresenta textos de Goethe; A noiva de Corinto; Byron (o infiel), Dom Calmet- Dissertação sobre os regressantes; Baudelaire; As metamorfoses do Vampiro. 8.Literatura Estrangeira: O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder; Humilhados e ofendidos, de Fiódor Dostoievski; Memórias do subsolo, de Fiódor Dostoievski; O diabo dos números: um livro de cabeceira para todos aqueles que têm medo de matemática, de Hans Magnus Enzenberger; A menina que não sabia ler, de John Harding; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; Rilke: Cartas a um jovem poeta, de Maria Carpeaus.

  3. Narrativas ficcionais: Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Viagem ao centro da terra, de Júlio Verne; O cão dos Baskervilles, de Sherlock Holmes, por Arthur Conan Doyle; Tolstói, de Ana Karênina; O Código da Vinci, de Dan Brown; Histórias extraordinárias, de Edgar Allan Poe, seleção, tradução e apresentação de José Paulo Paes.

  4. Literatura em quadrinhos-Adaptações da literatura clássica: O homem que sabia javanês, de Lima Barreto; O enfermeiro(conto), de Machado de Assis; Um músico extraordinário, de Lima Barreto; O ateneu, de Raul Pompeia, por Marcello Quintanilha (Roteiro e arte); O cortiço, de Aluísio Azevedo; 10 anos com Mafalda, de Martins Fonseca, traduzido por Monica Stahel; Domínio público: Literatura em quadrinhos, dos autores Bram Stoker, Richard Middleton, Esopo, Guy de Maupassant, Isaac Emmanuilovisch Babel e Henrich Von Kleist; Os três mosquiteiros, de Alexandre Dumas.

  5. Texto teatral: Roque Santeiro, de Dias Gomes; O Berço do herói, de Dias Gomes; Teatro da Obsessão, de Nelson Rodrigues, roteiro de leitura de Flávio Aguiar; Don Juan, de Molière; A Trilogia Tebana: Édipo

Rei, Rei em Colono e Antígona, de Sófocles; Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; Um trem chamado desejo, de Luís Alberto de Abreu; A bruxinha que era boa e outras peças, de Maria Clara Machado.

  1. Literatura Estrangeira contemporânea: Harry Potter (6 exemplares), de J.K Rowling; As crônicas de gelo e fogo (4 exemplares), de George R.R Martin.

  2. Literatura Estrangeira Clássica: A Divina comédia, de Dante Alighieri; Édipo Rei, de Sófocles; Crime e castigo, de Fiódor Dostoievski (tradução de Paulo Bezerra, Gravuras de Evandro Carlos Orwell); Revolução dos bichos, de George Orwell; Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac; História dos trezes Ferragus, de Honoré Balzac; A menina dos olhos de ouro, de Honoré Balzac; A duquesa de Langeais, de Honoré Balzac.

  3. Livro de poemas: Poemas dos becos de Goiás e Estórias mais; Poemas escolhidos de Ferreira Gullar, organizado por Wlmir Ayala; Alguns poemas, de Emily Dickson, tradução de José Lira; Obras poéticas, de Bocage, com notas introdutórias e questionário do crítico literário Sânzio de Azevedo.

As duas profissionais que já atuavam na Biblioteca em 2019, permaneceram em 2022, e são professoras da Área de Letras-Língua Portuguesa e de pedagogia e são afastadas da sala de aula. E em 2019, quando ocorreu o primeiro contato com a Escola, e com o espaço da biblioteca, elas realizavam os serviços de empréstimos de livros, projetos de incentivo à leitura,, e cobrança de livros. Informaram que o Sistema de empréstimo tem o prazo de 8(oito) dias, e que não há um Sistema Informatizado, por isso, o empréstimo de livros era realizado por fichas e o controle das obras emprestadas em um caderno. Com isso, durante o estágio foi visualizado que um dos problemas da falta de informatização é que muitos egressos da Escola não devolviam os livros.

Segundo elas, a preferência de leitura dos alunos era infanto-juvenil e quanto aos clássicos, eles só pegavam emprestado quando os professores indicavam. Para o estímulo da leitura, havia pequenas ações como a divulgação do leitor do mês em um quadro com o nome do aluno e a distribuição de papéis que os estudantes registravam os livros que leram e escreviam o motivo da leitura. Ao final, participavam de um sorteio, cujo brinde geralmente era um material escolar.

Nesse sentido, Campello (2010, p.128), afirma que a experiência que cada professor tem da biblioteca é muito variada, pois esse espaço pode ser improvisado, não está organizado ou mesmo não possuir materiais atualizados para uso didático do professor, e com isso, muitos professores não integram o material presente na biblioteca às suas práticas de ensino e a biblioteca fica limitada apenas aos serviços de empréstimos de livros e consulta ao acervo.

A biblioteca da EEM Camilo Brasiliense já possuía o seu próprio espaço, com estantes dos livros organizadas e espaços nomeados que facilita o acesso. Dispunha de revistas e jogos para informação e entretenimento para os estudantes. Nessa lógica, na pesquisa de Fiorovante (2018, p.329) também identifica um afastamento da biblioteca no Ensino Médio que segundo a autora, ocorre por deficiência s da biblioteca e o pouco envolvimento dos professores das diferentes disciplinas com a biblioteca. Para confirmação dessa informação, a pesquisadora, em seu estudo registrou alguns relatos de alunos:

[...] No primário eu vinha com frequência [...] utilizava os livros. Só que no decorrer do tempo isso acabou [...] não sei se foi [...] por ter passado pro Ensino Médio. [...] Entre a primeira e a quinta série a gente utilizava bastante[...], mas no decorrer do tempo isso foi se reduzindo, os professores não traziam [...]. E hoje [...] pra ser sincero, não vou muito. (Entrevistado N.P, Grupamento A. pergunta 2).

[...]Na primeira série [...] toda sexta feira a gente pegava um livro pra ler [...]. Depois foi parado, no nono ano não vinha tanto [...] eu era mais ativo na biblioteca no primário. Dali pra frente eu perdi um pouco o interesse. Ultimamente eu não tenho vindo tanto [...]. Agora a gente não usa muito. Agora a gente quase não vem [...]. As pessoas estão deixando de ler [...] aqui é como se fosse um espaço esquecido. Toda semana pegava os livros daqui e levava pra gente fazer uma leitura de uma aula e hoje não eu não tenho mais isso. [...]. Eu não tenho muito contato com a biblioteca hoje em dia como antes eu tinha. [...] nas séries iniciais eu usava bastante. Agora, nem tanto. Muito raro, por causa que aqui só ficam os livros didáticos [...] que a gente usa em sala de aula [...] eu não sou muito chegado a ler. [...] até na oitava, sétima eu vinha bastante, os professores traziam bastante. E quando você vai para o Ensino Médio daí eles não trazem muito. [...] E depois começou a ir na primeira série do Ensino Médio, daí já acabou [...] quando mais pequeno, a professora sempre trazia. Antigamente, a gente sempre ia na biblioteca, né? [...] E hoje em dia [...] a gente não vai mais. Então, hoje em dia a biblioteca [...] tá sendo abandonada [...]. (Entrevistados G.K.N.O.U. Grupamento A. pergunta 2: Entrevistados B.K.L; M.P.T. Grupamento A. Pergunta 3: Entrevistados B.O.W. Grupamento B. Pergunta 3; entrevistados N.P. Grupamento F. Pergunta: Entrevistado B, Grupamento D, pergunta 5: Entrevistado N, Grupamento A, pergunta 7) (FIOROVANTE, 2018, p.335)

Os alunos entrevistados na pesquisa de Fiorovante(2018, p. 336-338) recomendaram que as bibliotecas das Escolas públicas de Santa Catarina devem: 1. Investir na coleção de livros para diversifica-los para atender melhor os leitores, pois a biblioteca tem o papel de criar essa oportunidade de motivação para leitura, e "se a escola facilita, o aluno responde;" 2. Cuidar da organização, pois agilizará o acesso dos usuários aos documentos e às informações, e permitirá o uso racional do espaço. Para eles, o principal é a organização e ter computadores;

  1. Ter recursos didáticos que incentive à participação dos alunos nas atividades da biblioteca e a interação com outros alunos, divulgação de leituras e incentivar os colegas a irem á biblioteca;

  2. Ter silêncio para que o aluno possa ler, pesquisar, escrever, sendo uma forma de incentivá-lo a frequentar o local;

  3. Ter condições de conforto e a acústica é um deles, que oferte o que os alunos precisam e desejam, ofereça mais facilidade para que o aluno encontre o que busca; tenha alguém que incentive no uso do espaço e dos serviços em um ambiente onde sinta vontade de permanecer, podendo inclusive se "refugiar" e "viajar".

A expressão "refugiar", utilizado pelo sujeito coletivo da pesquisa citada, dialoga com a afirmação de Campello (2010, p.130) sobre a biblioteca ser um espaço de lazer, de refúgio e de entretenimento.

No tocante aos hábitos de leitura na biblioteca, ao final do ano letivo de 2019, foram entrevistadas três estudantes da Escola EEM Camilo Brasiliense, das turmas das turmas de 1a série e 3a série do Ensino Médio cujas respostas são apresentadas a seguir:

Quadro 1: Entrevista sobre as práticas de leitura de estudantes da Escola Camilo Brasiliense

Participante (estudante)SériePráticas de leitura
S.L.L.F, sexo feminino, 16 anos $1^{\text{o}}$ ano do Ensino MédioGosto de ler casos policiais e literatura estrangeira ficcional. Não pego livros na biblioteca, leio livros em casa impresso e digital. Leio 5 livros por ano. O livro que estou lendo é $O guardião de memórias$ . Leio quando estou no período de aula e nas férias.
M.N.P, sexo feminino, 19 anos $3^{\text{o}}$ ano do Ensino MédioGosto de ler sobre as leis do Direito, pois pretendo cursar. Não leio livro da biblioteca e nem em casa.
B.C.S.C, sexo feminino, 18 anos3o ano do Ensino MédioLeio em casa, pego emprestado livros na biblioteca e leio em casa e posso devolver quando termino. Leio um livro durante uma semana. O último livro que li, foi um indicado pelo professor Douglas, porque ele citou em uma aula dele e eu perguntei se tinha na biblioteca, era um livro de literatura nacional. Gosto de ler crônicas e romance. Li o livro 50 tons de cinza e esse livro, peguei emprestado com uma colega. Leio no máximo 4 livros por ano.

Fonte: AUTORA, 2024

Percebe-se, por meio da entrevista, que a biblioteca escolar em 2019 não era a principal fonte de acesso aos livros dos estudantes, mas que o professor de língua portuguesa e literatura indicava obras literárias da cultura popular juvenil presentes neste espaço, ou seja, havendo uma parceria entre professor e profissionais da biblioteca, embora, o interesse dos estudantes pela leitura literária dentro da Escola estava aquém do esperado.

O Retrato de leitura do Brasil é a única pesquisa em âmbito nacional que tem por objetivo avaliar o comportamento leitor do brasileiro, objetivando a partir de um amplo diagnóstico, promover reflexões, estudos e decisões em torno de possíveis intervenções do governo e da sociedade civil, orientando políticas públicas e ações que melhorem os índices de leitura e de acesso ao livro pelos brasileiros. A pesquisa que teve a sua primeira edição em 2001 e desde 2007 é realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL) aponta que entre 2007 e 2019, no ano de 2007, de um total de 95,6 milhões de pessoas, 55% eram leitores e 45% não eram leitores; no ano de 2011, em um total de 88,2 milhões, 50% eram leitores e 50% não eram leitores, no ano de 2015, em um total de 104,7 milhões de entrevistados, 56% eram leitores e 44% não eram leitores, e no ano de 2019, em um total de 100,1 milhões, 52% eram leitores e 48% não eram leitores (INSTITUTO PRÓ-LIVRO, 2019).

4.2 Biblioteca Escola da EEM Camilo Brasiliense entre maio e junho de 2022

E já em 2022, as professoras bibliotecárias exerciam mais atribuições como o ensino de disciplinas eletivas do currículo escolar do Ceará, e a Escola voltou a funcionar de forma presencial, com duas turmas na 1a série, três na 2a série, duas na 3a série do Ensino Médio, e uma da EJA à noite. Para o Ensino Médio regular, além das aulas presenciais, a Escola oferta disciplinas eletivas, ou seja, para a escolha dos estudantes estarem no contra turno.


FONTE: AUTORA, 2022

Imagem 2: Organização do acervo


FONTE: AUTORA, 2022

Imagem 3: Estudantes pesquisando e buscando livros

Em diálogo com uma das profissionais da biblioteca, a professora Leônia, na data de 13 de maio de 2022, explicou na entrevista realizada com questionário estruturado sobre os serviços da biblioteca escolar, preferências de leitura dos alunos, acervo, qualificação profissional para o atendimento, e por último foram observados os livros presentes nas instantes.

Quanto ao atendimento da Biblioteca ou multimeios, oficialmente há duas professoras atuando, uma é pedagoga e a outra é letróloga em língua portuguesa, e ainda havia uma professora de história que estava lotada na data da entrevista e observação, mas no final do mês de junho ela se aposentou.

No tocante às atividades burocráticas, não vem sendo feitas, como o tombamento porque estão sem computador após a pandemia, e segundo a entrevistada, as duas professoras estão com falta de ferramentas para o trabalho. A Leônia fez um curso de formação de sistemas da biblioteca, mas até aquela data ainda não tinha recebido o certificado oferecido pela Secretaria de Educação do Ceará (SEDUC-CE) e a professora letróloga, Ana Lúcia, está fazendo um curso em prol de informatizar o centro de multimeios com o Sistema Biblioteca Online.

Em relação ao incentivo da leitura literária, elas realizavam projetos como "Ler é bom, ganhar prêmios é melhor ainda", no qual quem pega mais livros emprestados ganha um prêmio, mas precisa deixar os seus comentários sobre as leituras e colocar na urna improvisada (caixa de sapato), e a premiação é realizada a cada dois meses, e quem ganhou foi uma aluna do 1o ano B. Os empréstimos de livros são anotados em um caderno, sendo que um deles é para os livros de leitura literária ou de pesquisa para os alunos, e o outro caderno é para os livros que os professores utilizam para estudar e planejar as suas aulas.

Por observação direta durante o estágio, e complementada pela entrevista, constatou-se que no período de 2022, os alunos já frequentavam bastante a biblioteca, alguns para fazer atividades e trabalhos em grupo nas mesas, folhear os livros, pesquisar nas estantes e jogar damas. Há também uma grande variedade de livros didáticos no Novo Ensino Médio como linguagens, humanas e ciências da natureza e suas tecnologias, e Códigos e linguagens e suas tecnologias. Outro serviço ofertado e organizado pelas professoras da biblioteca é a realização de uma disciplina eletiva "Língua portuguesa para o SPAECE", destinado ao público do 1o ano do Ensino Médio, e esta iniciativa faz parte do Novo Ensino Médio. Ademais, os professores da área de linguagens, com destaque para os de língua portuguesa e de redação mapearam em uma reunião de planejamento das aulas e de trabalhos da área, os estudantes com maiores dificuldades de leitura e escrita a fim de participarem de um projeto de alfabetização, visto que há alunos do 1o ano e que ainda não sabem ler; e de reforço com a leitura e a escrita para os que possuem maior dificuldade.

Observou-se, também, um grande apreço dos estudantes pelos jogos de tabuleiro como damas, confirmando o lugar da biblioteca como espaço de entretenimento e de convivência.


FONTE: Autora, 2022

Imagem 04: Jogo de damas para atividade recreativa

E quando perguntada sobre os gostos literários dos estudantes, a professora bibliotecária, Leônia respondeu:

"Os romances, tem estudante que devolve porque diz que não gostou, outros levam livros grossos, mas acham grande e não conseguem terminar a leitura pela falta de paciência. Tem um estudante com autismo leve e gosta de ler, e outro que pegou dois livros emprestados. Alguns alunos levam livros de poesia." A professora ainda comentou que os alunos têm pegado mais livros de literatura brasileira porque os estrangeiros são mais grossos, com isso, eles não têm conhecimento das obras estrangeiras da biblioteca.

E ela mencionou que Tem uma aluna que gosta de matemática, então, ela indicou o livro O homem que calculava, do autor Malba Tahan.

E por observação direta pessoal, visualizou-se um aluno da 3a série e outro da 1a série do Ensino médio que demonstraram interesse em ler livros baseados em filmes e seriados como os livros do personagem Sherlock Holmes e da saga Harry Potter. Perguntaram pela obra Pequeno príncipe e ao verem um livro do zorro, se interessaram em pegar emprestado para ler. Porém, vale destacar, que pelo fato deles demorarem olhando as estantes dos livros, e já tendo iniciado o horário das suas aulas após o intervalo, a professora bibliotecária percebeu que eles estavam passando o tempo para não retornarem à aula, e com isso, vê-se que a demora na biblioteca também é uma motivação para sair de sala enquanto alguns professores estão ministrando aula, representando uma "fuga". Na ocasião, em horário de estudo na biblioteca, uma estudante da 2a série A, procurava literatura estrangeira, e me solicitou uma indicação de livro, daí foi sugerida a obra 1984, de George Orwell, ela folheou o livro, mas achou grosso, então, percebendo que ela gosta mais de literatura fantasiosa, foi indicado o livro The hobbit, de J.R.R. Tolkien, ela gostou e realizou o empréstimo do livro.

E ainda, durante a entrevista com a professora bibliotecária, em relação aos professores na biblioteca, ela informou que os professores de literatura não pegam livros para eles lerem e não solicitam aos estudantes que leiam livros literários para a disciplina, como também visualizei que uma das professoras lotadas na biblioteca sugeria e conversava com um estudante do 1o ano A acerca das leituras dos livros da biblioteca, e presenciei esse aluno lendo em duas das aulas que ministrei em minha vivência na sala de aula como docente de redação. Ou seja, as profissionais da biblioteca têm uma relação mais direta ao apoio da leitura literária entre os alunos. Porém, como colega de trabalho e em início de carreira, recebi um incentivo do professor regente, para que eu trabalhasse com leitura de obras de literatura e de filosofia em aulas de redação ou da disciplina "Formação para a cidadania e desenvolvimento de competências socioemocionais", como por exemplo, O pequeno príncipe de forma resumida; Fernão Capelo Gaivota: estudo literário e filosófico, de Richard Bach; Machado de Assis-Dostoiévski-Tolstói: histórias que nos constroem; e Noites brancas, de Fiódor Dostoiévski.

Desta forma, faz-se necessário complementar os dados com a entrevista realizada com o professor regente do meu estágio, e também colega de profissão.

Quadro 02: Entrevista com o professor de língua portuguesa/literatura

Professor entrevistado/ Formação acadêmicaPergunta: Quais os maiores desafios de ser professor de língua portuguesa e literatura?Pergunta: Há aulas de literatura? E como ocorrem?
Iniciais do nome: D.W.B.M.C. Graduado em Letras-português em 2017. 2 pela UNILAB-CE, especialista em ensino de língua portuguesa e literaturas, em Gestão Escolar e direito educacional, e mestrado em Estudos da linguagem.Resposta: os maiores desafios são as adversidades familiares,como desestrutura e abuso (por meio do trabalho infantil), assim trava-se uma luta para além de assuntos que o professor pode tratar: a vida pessoal do jovem. Esta que afeta perigosamente a vida acadêmica/estudantil dos jovens. – Os desafios do ensino de LP e Literatura se dão pela defasagem na aprendizagem durante os anos iniciais. Os alunos têm um contato descontextuali zado com os diversos estudos que envolvem a língua e a literatura é um castigo (ler livros e escrever resumos). Essas práticas amargam a vivência futura com a disciplina.Resposta: Há sim. As aulas de literatura ocorrem com base no PEC (plano de execução curricular) tendo em vista a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Documento Curricular Referencial do Ceará (DCRC), elas acontecem por meio de rodas de leitura, de curtas-metragens, criação de seminários dinâmicos e textos com curiosidades, que servem para incentivar as leituras e/ou o gosto por ela.

FONTE: AUTORA, 2022

Já, em relação à entrevista com os estudantes, não foi possível realizar o diálogo com o questionário semiestruturado, devido o período das avaliações, férias da Escola e não disposição dos alunos em participar, o que dificultou ainda mais, no entanto, as respostas da professora da biblioteca, do professor regente, que foi entrevistado, e as observações diretas permitiram compreender que no ano de 2022 podemos encontrar um público mais ávido por leitura literária, do que os estudantes do ano de 2019, visto que frequentemente eles frequentam a biblioteca nos intervalos, e leem no ambiente, pegam livros emprestados e têm em sua maioria, um gosto por livros baseados em filmes e seriados da literatura juvenil. Das três sérias, as turmas de 1o e de 2o séries utilizam mais a multimeios para pesquisar livros e realizar as suas leituras, e além disso, alguns estudantes da 1o série levam os livros emprestados para a Escola, lendo até mesmo na sala de aula, em alguns momentos, e os estudantes da 2a série, leem, pedem indicações de livros, mas utilizam muito a biblioteca para fazerem pesquisas das disciplinas como educação física e redação.

aula com as turmas. No entanto, ainda há excelentes livros da literatura clássica brasileira e estrangeira, além de best sellers de filmes e seriados que chamam a atenção dos adolescentes, poesias, teatro, história em quadrinhos, e algumas obras de literatura africana.

A Escola também iniciou o processo de implantação de um círculo de leitura, proveniente da CREDE 08, mas com a incumbência dos dois professores de língua portuguesa da Escola. A biblioteca também tem sido o espaço das disciplinas eletivas das duas professoras lotadas neste ambiente, e as profissionais trabalham com textos pequenos de variados gêneros textuais em língua portuguesa.

4.2.1 Acervo e Estrutura da Biblioteca Escolar em 2022

Possui quatro mesas de estudo, estantes com um bom acervo de livros, embora a professora conta que na pandemia, muitos estudantes não devolveram os exemplares, e tem também os que foram embora e não devolveram os livros. Há também os jogos de tabuleiro, como damas, caixas de novos livros didáticos, como os do Novo Ensino Médio e alguns mais velhos, como o livro Veredas da palavra: Língua portuguesa, e ainda livros curtos literários e filosóficos para a leitura dos professores nas disciplinas eletivas em sala de


FONTE: AUTORA, 2022

Imagem 05: Mais classificações das obras literárias

4.2.2 Acervo: Nesse Sentido, Destaco Alguns Títulos Presentes nas Estantes, Como

Literatura estrangeira (clássica e best sellers): 1984, e Revolução dos bichos, de George Orwell; Édipo Rei, Admirável mundo novo, a coleção As crônicas de gelo e fogo, de George R.R. Martin; Madame Bovary, de Gustave Flaubert; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury; O hobbit, de R.R. Tolkien; A esfinge de gelos, de Júlio Verne; Humilhados e ofendidos, de Fiodor Dostoiéviski; O último dia de um condenado, de Victor Hugo; O Diário de Anne Frank, de Anne Frank; A biblioteca mágica de Bibbi Bokken, de Jostein Gaarder e Kraus Hagerup; O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder; O Código da Vinci, de Dan Brown; Toistói, de Ana Karêndina; Ilusões perdidas, de Balzac; Para gostar de ler (v.11)-Contos Universais: contos de Anton Tchekhov, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Guy de Maupassant, Jack London, Miguel de Cervantes e Voltaire (Obs: um dos contos é "O retrato oval", de Edgar Allan Poe), O carregador coelho, de Voltaire e Contos húngaros, de Gyula Krúdy et al (Tradução de Paulo Schiller).

  • Literatura brasileira e portuguesa (prosa): O cortiço, de Aluísio de Azevedo; O primo Baílio, de Eça de Queiroz; A pata da gazela, de José de Alencar; Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto; A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, em versão adaptada; Garibaldi e Manoela: uma história de amor, de Josué Guimarães; Cante lá que eu canto cá, do cearense Patativa do Assaré; A jangada de Pedra, de José Saramago; Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida; Seminário dos ratos, da Lygia Fagundes Telles; Capitães de Areia, de Jorge Amado; Um certo capitão Rodrigo, e Ana Terra de Érico Veríssimo; Os sertões, de Euclides da Cunha; Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa; A bagaceira, de José Américo de Almeida; Dôra, Doralina, de Rachel de Queiroz; O selvagem da ópera, de Rubem Fonseca; Crônicas escolhidas, de Rubem Braga; Cenas populares, do escritor cearense, Juvenal Galeno; Os melhores contos, de Malba Tahan; Os melhores contos de todos os tempos, da organização de Flávio Moreira da Costa, Ana Z. Aonde você vai?, da Mariana Colasanti; Antologia de contos folclóricos, de Herberto Sales; Comédias para ler na Escola, de Érico Veríssimo; e Memorial do convento, do escritor português José Saramago.

  • Literatura brasileira e portuguesa (poesia): Melhores poemas, de João Cabral de Melo Neto; Pau Brasil, de Oswaldo de Andrade, e Antologia poética, de Luís de Camões.

  • Literatura africana e indígena: Livros teóricos sobre literatura africana como África: essa mãe quase desconhecida, de Eduardo d'Amorim; e livros literários como O príncipe medroso e outros contos africanos, de Anna Soler Pont (Tradução do catalão Luís Reyes Gil); O tesouro do Quilombo, do Angelo Machado e Fala de mitos indígenas de Minas Gerais.

  • Livros em quadrinhos HQs: O enfermeiro, de Machado de Assis; O homem que sabia javanês, de Lima Barreto; Um músico extraordinário, de Lima Barreto; O otário, de Raul Pompeia; e Ilustrador, de Marcelo Quintanilha; Uns braços, de Machado de

Assis; O quinze, de Rachel de Queiroz e a ilustração de Shiko; Literatura em quadrinhos, de Olavo Bilac, Alcântara Machado, Lima Barreto, Augusto dos Anjos, Machado de Assis e Medeiros e Albuquerque; Sete vidas, de Olavo Bilac; Sete vidas, de Olavo Bilac; O Guarani, de José de Alencar, com adaptação de Walter Vetillo; O cortiço, de Aluísio de Azevedo; A terceira margem do rio em grahie novel, adaptado do conto de João Guimarães Rosa, com o roteiro de Maria Helena Rowanet, e a arte de Thaís dos Anjos.

V. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo teve como objetivo compreender e descrever o funcionamento da Biblioteca Escolar e suas ações como agente para a formação do leitor dos adolescentes estudantes na Escola EEM. Camilo Brasiliense, localizada no interior do Estado do Ceará, no Brasil. Tal descrição guiou-se pelo relatório do Estágio de observação em literatura do final do ano de 2019, ou seja, antes da pandemia por COVID-19, e no segundo momento, pelo relatório do Estágio de regência em literatura, referente ao primeiro semestre de 2022, com a volta das aulas na modalidade presencial, e traçou-se um comportamento leitor dos dois públicos estudantis, e as práticas de leitura e mudanças no funcionamento da Biblioteca Escolar para a formação do leitor literário.

Ademais, por meio da observação direta, pesquisa nos documentos da Escola e da literatura acadêmica das áreas de educação e biblioteconomia para o letramento literário, e do diálogo com as professoras atuantes na biblioteca e com o professor de língua portuguesa e literatura foi possível concluir que a Biblioteca Escolar caminha para a implantação da informatização do seu serviço, embora ainda exista barreiras estruturais como a falta de computador, mas há uma capacitação das professoras bibliotecárias para isto, e os estudantes do segundo momento, ou seja, do ano de 2022 comparado aos hábitos de leitura dos adolescentes de 2019, demonstraram maior interesse pelo espaço da Biblioteca e pela leitura literária, devido à maior quantidade de livros emprestados, frequência na Biblioteca, realização de pesquisas em equipe, mediante ao incentivo de professores, e a melhoria da mobília do espaço. Além disso, o acervo literário também recebeu coleções de livros específicos para serem trabalhados nos clubes de leitura pelos professores de língua portuguesa, literatura e disciplinas eletivas, o que contribui para a extensão da biblioteca para a sala de aula, e além disso, as professoras bibliotecárias também ensinam disciplinas eletivas, e trabalham com a alfabetização, utilizando, também, livros com ilustrações para facilitar a leitura.

Quanto às preferências pessoais, pela observação direta, alguns leitores preferem obras baseadas em filmes da cultura juvenil internacional, do subgénero fantasia e ficção científica, ou articulados com o seu universo intelectual, e de acordo com a entrevista, muitos adolescentes têm preferido ler obras brasileiras, o que contrasta com o público de 2019 que preferiam ler os best-sellers. De forma espontânea, os estudantes interagem entre si para comentar sobre suas leituras. No mais, ainda faz-se necessário uma visibilidade maior da biblioteca como espaço para rodas de leituras, e eventos literários mais diversificados com efetivo protagonismo dos estudantes, conduzidos pela Escola.

Conflict of Interest

The authors declare no conflict of interest.

Ethical Approval

Not applicable

Data Availability

The datasets used in this study are openly available at [repository link] and the source code is available on GitHub at [GitHub link].

Funding

This work did not receive any external funding.

References

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  • LCC Code: Z682-682.4
  • Version of record

    v1.0

  • Issue date

    06 May 2024

  • Language

    pt

Research scientists analyzing DNA structures in a digital environment.
Open Access
Research Article
CC-BY-NC 4.0
LJRHSS Volume 24 LJRHSS Volume 24 Issue 6, Pg. 13-33
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