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Abstract
O presente relato de experiência reúne observações e ações que ocorreram na turma do infantil I do CEI Padre José Maria Cavalcante Costa no primeiro semestre de 2023 cujo conteúdo foi baseado na afetividade como uma estratégia importante para a adaptação e o desenvolvimento das crianças. A pesquisa constatou que as famílias concordavam que a afetividade fez uma grande diferença para a adaptação das crianças e as deixou mais carinhosas e menos agressivas, além de proporcionar um ambiente mais seguro e acolhedor. Portanto, se faz necessário que professores e escola trabalhem mais a afetividade no ambiente escolar, a fim de que as crianças possam aprender sobre valores, respeito pelo outro e solidariedade.
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Introduction
O presente estudo apresenta um relato das ações desenvolvidas através de observações ocorridas no primeiro semestre (2023), na turma do Infantil I, do CEI (Centro de Educação Infantil) Padre José Maria Cavalcante Costa relacionando a questão da afetividade como fator preponderante para a adaptação e o desenvolvimento das crianças. Acredita-se que o papel do professor (a) na sala de aula vai muito além de habilidades cognitivas e técnicas, é necessário o afeto, principalmente no momento que bebês e crianças muito pequenas (0 a 3 anos e 11 meses) têm o seu primeiro contato com a escola, uma vez que não é fácil para eles (as) o afastamento da família, ainda mais quando se trata do tempo integral em que a criança vai passar em torno de 9 (nove) horas na instituição escolar.
Destacam Martins, Santos (2020) que a afetividade na educação infantil vai além de abraços e expressões de carinho — está muito ligada a receber a criança em um ambiente totalmente fora da sua realidade, proporcionando trocas de experiências, estímulos à aprendizagem, despertar para as motivações. Dessa forma, o docente, especialmente nessa fase inicial, precisa se preocupar com aspectos que influenciam no desenvolvimento cognitivo da criança, como um ambiente escolar com afetividade, segurança e conforto.
Geralmente, quando a criança entra em contato pela primeira vez na escola, há um período muito longo de adaptação; elas se sentem desprotegidas e inseguras, e algumas nem conseguem se adaptar. Diante dessa realidade surgiu a seguinte indagação: como a afetividade pode contribuir para a adaptação e o desenvolvimento das crianças na turma do Infantil I?
Dessa forma, observou-se a necessidade de se apresentar uma postura diferente do que na maioria das vezes se têm em algumas escolas, principalmente nas que possuem características tradicionalistas, pois o que se percebe é que há uma ânsia em fazer a criança aprender as coisas de forma muito acelerada, e jamais apresentar afeto, evitar abraçar, carregar no colo, acalmar nos momentos de desespero. Sendo assim, nossa justificativa se baseia no fato de que utilizar o afeto como uma estratégia para trazer a criança para dentro da sala de aula deixa o ambiente mais agradável, confortável e prazeroso e consequentemente vai influenciar no desenvolvimento cognitivo, da autonomia e da motricidade, pois por mais que seja bem planejado o processo de adaptação com foco nas singularidades da criança, geralmente não é um processo natural, visto que a chegada na escola causa estranheza e desconforto. Além disso, tem o impacto da mudança da rotina com a família e o contato e cuidado de outras pessoas (profissionais) que não faziam parte do seu convívio.
Ponderam Martins, Santos (2020) apud Piaget (1976) que o desenvolvimento intelectual está dividido em dois componentes: o cognitivo e o afetivo — ambos caminham juntos, pois toda a atividade e o pensamento são ações cognitivas, representadas pelas estruturas mentais e afeto que é a força energética, a afetividade.
Sendo assim, a afetividade é um componente essencial para o desenvolvimento infantil, no que diz respeito aos primeiros anos escolares, e foi através do afeto que se conseguiu apresentar esta experiência tão significativa tanto para as crianças, como para as famílias e nós educadoras.
Methodology
A experiência ocorreu com a primeira etapa da educação básica — turma do Infantil I (crianças até 2 anos de idade) — no período compreendido pelo 1.º Semestre (2023). Tendo como objetivo analisar como a afetividade pode contribuir para a adaptação e o desenvolvimento da autonomia das crianças na turma do Infantil I no município de Fortaleza/CE. O relato foi feito de modo contextualizado, com objetividade e aportes teóricos, apresentando resultados quantitativos e qualitativos através de pesquisa realizada por meio de formulário do Google Form e no registro fotográfico das ações das crianças em sala de aula como forma de ratificar a experiência descrita no referido estudo. A pesquisa foi encaminhada para 16 (dezesseis) famílias dos alunos(as) da turma do Infantil I do CEI Padre José Maria Cavalcante Costa do município de Fortaleza–CE, porém somente obtivemos respostas de 9 (nove) famílias, que foram muito significativas para a conclusão do nosso estudo.
Results and Discussion
Nesse aspecto destaca-se parte da rotina das crianças do Infantil I do CEI Padre José Cavalcante Costa, a partir do primeiro contato com a escola em meados de Fevereiro/2023, observando que cada tempo e a forma como ele é trabalhado faz toda a diferença no processo de adaptação e desenvolvimento das crianças.
Difficulties in Adaptation
Quando recebemos as crianças em meados de fevereiro (2023) tivemos muita dificuldade em organizar a rotina. Tínhamos no total 16 crianças — entre 10 meninos e 6 meninas — na faixa etária de 1 ano e 6 meses a 1 ano e 10 meses, que eram totalmente dependentes: precisavam deixar seus pais na entrada da sala de aula e foram recebidos (as) por duas pessoas desconhecidas — a professora regente e a Assistente da Educação Infantil — que também estavam tendo um primeiro contato profissional com o Infantil I. De modo que, na primeira semana, já começamos a observar algumas situações de insegurança, choro excessivo e inquietação em algumas crianças, e passamos a utilizar outras estratégias para a rotina. A primeira foi na chegada: sempre recebendo as crianças com músicas animadas, com um sorriso no rosto, muito afago e carinho e, claro, quem precisava de colo recebia o acolhimento necessário até o momento em que a criança se sentisse segura e acolhida.
Bath Time
Em seguida mudamos a estratégia do banho, utilizando o tempo com cada criança de forma individual, em que a professora conversava com as crianças, mostrando o material de higiene e o que estava acontecendo naquele momento, para que a criança não se sentisse desconfortável. Brincava com a água para aliviar a tensão, respeitando o tempo de cada criança e suas emoções. Após o banho, utilizava palavras motivadoras como: “você está bonito(a), cheiroso(a)” e um abraço. E assim o banho passou a ser um momento de aprendizagem, diversão e de fortalecer os vínculos afetivos, respeitando a individualidade de cada criança.
Mealtime
No momento da alimentação, os primeiros dias foram feitas refeições na sala de aula para que as crianças pudessem se conhecer primeiro e se sentir confortáveis com as professoras. Para muitas, foi um momento bem difícil, mas com o nosso auxílio, a maneira como conduzíamos a criança para aceitar o alimento foi fundamental — com paciência, fazendo brincadeiras de aviãozinho — e em pouco tempo a maioria já estava comendo sozinha.
Nap Time
Momento sagrado. Criou-se um ritual para que as crianças pudessem entender que era hora do descanso: desligamos a luz, colocamos músicas relaxantes, cortinas para criar uma certa penumbra e arrumamos os colchões respeitando a individualidade de cada um no seu momento. Alguns se deitavam e dormiam; outros(as) precisavam de um afago, um carinho, um colinho para que logo o sono viesse a tomar conta de seus olhinhos pequenos.
The Practice of the Hug
A estratégia mais significativa que gostaríamos de ressaltar nesse estudo foi a da prática do abraço nos momentos de agressividade entre as crianças. Quando estavam se sentindo inseguras, pedir desculpas e dizer “eu te amo” foi algo que realmente nos fez perceber o quanto o afeto faz diferença nos primeiros anos da educação infantil. Algumas crianças passaram a ser propagadoras do afeto: quando observavam um colega agindo de forma agressiva com o outro, interferiam e abraçavam o colega como forma de dizer que não era com agressividade que se tratava o colega, mas sim com afeto e carinho. Além disso, trouxemos para a sala de aula um mamulengo (Chico) que se tornou o mascote do abraço. As crianças adoravam abraçá-lo e se divertiam quando o trazíamos para a roda de conversa.
A afetividade vai além de sentimentos de amor, ternura e carinho; ela está relacionada a emoção, estados de humor, motivação, atenção, personalidade, temperamento, dentre outros termos. Ela exerce papel fundamental nas relações, influenciando o interesse na aprendizagem, a autoestima, a memória, a percepção, a vontade e as ações, favorecendo a construção da personalidade humana (Martins & Santos, 2020, p. 02).
Através das ações das educadoras, as crianças foram observando e praticando com o colega a afetividade; a motivação os contagiou, criando um ambiente agradável e alegre, diminuindo os casos de agressividade entre as crianças e aumentando o número de abraços, de carinho e demonstrações de afeto.
Corrobora também Souza (2013) quando afirma que a afetividade é fundamental para a construção das informações cognitivo-afetivas nas crianças e também nas relações que devem ser estabelecidas entre professor e aluno. É por meio dela que acontece a identificação com as outras pessoas, sendo assim o afeto, a sensibilidade e a maneira de se comunicar do educador(a) vão influenciar o modo de agir dos alunos e facilitar o desenvolvimento cognitivo, já que durante o processo de aprendizagem não se consegue separar no aluno o intelectual e o afetivo.
Nesse aspecto destaca-se outro momento em que, ao observar a professora fazendo intervenções em uma situação de conflito entre duas crianças, uma terceira criança veio e abraçou o colega que estava batendo no outro — ou seja, o ato demonstrava uma habilidade que havia sido aprendida, uma vez que as educadoras sempre abraçam as crianças, destacando a importância do carinho e não da agressividade.
Compreende Ostetto (2008, p. 23) que:
No contexto da educação infantil, o educador é aquele que caminha junto com as crianças, observando/registrando, discutindo e refletindo sobre suas ações e sobre seus modos de expressão. Assim, ele rompe com a educação centralizada somente no adulto e passa a ter a criança como foco, adotando, então, uma postura não só de observador, mas também de investigador das várias maneiras de ser e viver a infância.
É o que confirma Freire (1996) quando menciona que a afetividade tem que estar ligada ao processo educativo. A formação da criança não pode ser vista apenas no aspecto cognitivo, mas também no social e emocional; o afeto na educação infantil cria um espaço de segurança, e onde crianças são valorizadas e respeitadas é possível desenvolver relações de respeito e diálogo, tornando as próprias crianças protagonistas de seu processo educativo, facilitando o seu desenvolvimento e aprendizagem.
Hooks (2021) também afirma que a afetividade vai além do amor e carinho, trata dos cuidados emocionais necessários na primeira infância, e que as ações afetivas da professora irão afetar a construção de autoestima e de identidade na fase de maior importância para a formação do ser humano.
Por fim, confirma Wallon (1975) apud Souza (2013) que as emoções são muito importantes para o desenvolvimento da criança. Através delas, o aluno(a) exterioriza os desejos e as vontades, de modo que a afetividade, segundo Wallon, depende de dois fatores — o orgânico e o social — que se relacionam entre si, principalmente quando as dificuldades precisam ser superadas pelas condições favoráveis entre ambos. Tal ligação se modifica durante o desenvolvimento da criança: o que antes era uma reação orgânica passa a sofrer influência do meio social, portanto a afetividade tem uma evolução progressiva que se distancia do fator orgânico e vai prevalecendo o fator social.
Sendo assim, através da observação feita no período de adaptação na sala do Infantil I do CEI Padre José Maria Cavalcante Costa, percebeu-se a necessidade de criar um vínculo de confiança com as crianças. Entendemos que nossas práticas pedagógicas precisariam somar com a afetividade e, dessa forma, utilizamos ações que valorizassem a necessidade de cuidados e individualidade de cada aluno.
Além disso, aplicou-se vivências que despertassem curiosidade e interesse, como também ações que valorizassem o reconhecimento, utilizando palavras motivadoras, elogios e abraços, para que eles se sentissem amados, acolhidos e livres para expressarem suas emoções. Percebemos, individualmente, que cada criança tinha sua necessidade afetiva, o que nos fez criar uma conexão de aproximação entre as crianças e as professoras. Aos poucos, percebeu-se que as vivências afetivas foram fundamentais para o melhor desenvolvimento das crianças, tornando o ambiente da sala de aula um espaço agradável, acolhedor e de aprendizado.
Dessa forma, através de diálogos e da pesquisa feita com as famílias, foi possível constatar que nossa estratégia de proporcionar um ambiente afetivo e acolhedor para as crianças do Infantil I foi percebida pelas famílias e proporcionou a interação das crianças, o desenvolvimento da autonomia e, principalmente, a propagação da afetividade dos alunos(as) dentro e fora da sala de aula — o que enfatiza a importância da relação entre família e escola, refletindo no melhor desenvolvimento das crianças.
Das 9 (nove) famílias que responderam à pesquisa, 100% afirmaram que a afetividade contribui para a adaptação e autonomia das crianças e que a afetividade contribuiu para o desenvolvimento das crianças do Infantil I do referido CEI.
Com relação ao questionamento: “Você consegue observar que há afetividade na turma do Infantil I? Como foi o semestre para seu filho(a)? Você percebeu alguma mudança positiva?” Obtivemos as seguintes respostas:
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“Sim. Percebo que meu filho se sente confortável e acolhido no ambiente, onde inclusive para de chorar nos braços da professora. Acredito que sem essa ligação e afeto conquistado não seria possível uma boa adaptação e contato entre eles”;
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“Foi um semestre muito significante pra nós e pra ela — adora abraçar e dizer eu te amo e agora vem junto com um abraço que aprendeu na creche, está muito afetiva”.
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“Sim, começou a entender mais os próprios sentimentos, aprendendo novas palavras e desenvolvendo em vários aspectos”.
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“Com certeza faz toda a diferença; sinto que meu filho consegue expressar com mais facilidade suas emoções e sentimentos; além disso, o progresso de interação social dele está praticamente 100%”.
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“Sim. É nítido, pois sentimos segurança na receptividade das professoras, na forma de tratar, zelar e cuidar. Minha filha volta para casa com gostinho de quero mais. Ama participar de tudo que é proposto. Ela desenvolveu perfeitamente o respeito para o próximo, sempre antenada em ajudar o próximo”.
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“Todas as mudanças positivas possíveis; minha bebê desenvolveu 100%, hoje ela é outra criança — muito bem educada e super independente — com a ajuda das tias do Infantil I”.
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“Sobre afetividade, meu filho foi bem acolhido; percebi que há uma relação de amor e cuidado entre eles. Esse semestre foi importante; teve várias mudanças positivas, entre elas a socialização, que eu acredito ser um ponto muito importante para o desenvolvimento dele!”.
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“Sim, meu filho desenvolveu bastante na questão da fala, cores e também começou a ficar mais independente; aprendeu a comer sozinho, uma coisa que ele não sabia, e na questão da alimentação também”.
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“Sim, minha filha desenvolveu muito bem; agradeço primeiramente a Deus e, em segundo lugar, às tias do Infantil 1”.
Através dos depoimentos das famílias foi possível observar mudança no comportamento e nas atitudes das crianças, o que ratifica nossa pesquisa e confirma que o afeto é fundamental para o período de adaptação e para o desenvolvimento das crianças na educação infantil.
Final Considerations
Portanto, através do que foi observado e registrado durante o primeiro semestre de 2023, e também com o depoimento das famílias, constatou-se que a afetividade tem um valor essencial para a educação infantil, especialmente no momento da adaptação da criança, de sua chegada pela primeira vez na escola. Pois a partir do afeto, a criança vai conseguindo compreender melhor o significado de sua presença no mundo, seus anseios, seus medos e inseguranças. Além disso, a afetividade possibilita despertar o que há de melhor na criança — desenvolver o cognitivo, a criatividade, as relações com o outro.
Ao possibilitar um ambiente amoroso, afetivo, seguro e confortável para as crianças, principalmente nos primeiros anos escolares, o professor(a) vai paralelamente possibilitando para si mesmo um momento de puro amor, de uma troca que o faz crescer e se desenvolver também como profissional. Pois as crianças são puras — têm uma grandeza inigualável, nos fazem aprender todos os dias, nos ensinam o real sentido da vida.
Em tempos tão difíceis — como os que vivemos após uma pandemia, em que as pessoas ficaram isoladas, sem contato com ninguém — é de suma importância que, no momento em que a criança retorna ao convívio escolar ou que chega pela primeira vez, o olhar do educador seja afetivo, cuidadoso, capaz de perceber o que a criança necessita naquele momento. Sabe-se que há um número significativo de crianças, mas com paciência, disponibilidade e vontade há de se chegar a um resultado positivo, em que as crianças fiquem adaptadas à rotina e desenvolvendo suas habilidades de forma natural, cada uma em seu tempo.
- O professor é o guia do processo educativo e exerce uma espécie de “poder”. Tem como função transmitir conhecimento e informações, mantendo certa distância dos alunos. (https://www.ufrgs.br/psicoeduc/wiki/M%C3%A9todos_de_ensino-) ↩
- Link da Pesquisa: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSc0GjYugmL-jMf6lJDSK1v8aVP-X0NWmcf5frnachH9nW9EOg/viewform?usp=pp_url ↩
- O Mamulengo é a forma popular e tradicional do teatro de bonecos no Brasil. Nasceu nos interiores do Nordeste e, de lá, migrou para grandes centros e outras regiões. http://www.mamulengofuzue.com.br/?page_id=7 ↩
Conflict of Interest
The authors declare no conflict of interest.
Ethical Approval
Not applicable
Data Availability
The datasets used in this study are openly available at [repository link] and the source code is available on GitHub at [GitHub link].
Funding
This work did not receive any external funding.
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