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Abstract
Introduction: Soft tissue injuries in post-traumatic fractures are a clinical challenge, associated with high complication rates. Negative Pressure Wound Therapy (NPWT) has emerged as a promising alternative to traditional dressings.
Objective: To evaluate, through a systematic review, the efficacy of Negative Pressure Wound Therapy (NPWT) compared to traditional dressings in the treatment of soft tissue injuries in patients with fractures.
Methods: A systematic literature review was conducted in the PubMed, SciELO, and LILACS databases, including articles published between 2010 and 2025. Six studies were included in the final qualitative synthesis.
Results: The evidence indicates that NPWT is superior to traditional dressings in reducing healing time and decreasing infection rates, particularly in lower limb fractures. However, the benefits regarding the reduction of hospitalization time and the need for surgical reinterventions are inconsistent in the literature. The cost-effectiveness of NPWT proved to be controversial and dependent on the healthcare system context, and data on long-term functional outcomes are scarce.
Conclusion: NPWT is an effective and preferential therapeutic tool for managing complex wounds associated with fractures, primarily for accelerating healing and reducing infection risk. The decision for its use, however, must be carefully considered, taking into account the controversies regarding its cost-effectiveness, the heterogeneity of the evidence, and the patient's clinical profile.
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Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS, com artigos publicados entre 2010 e 2025. Seis estudos foram incluídos na síntese qualitativa final.
I. INTRODUÇÃO
As fraturas pós-trauma representam um importante desafio para a ortopedia e a traumatologia, pois, além da lesão óssea, frequentemente envolvem um comprometimento complexo dos tecidos moles adjacentes. Lesões de pele, subcutâneo e musculatura, especialmente em fraturas expostas classificadas como de alta energia (ex: Gustilo-Anderson tipo III), aumentam drasticamente o risco de complicações graves como infecção, necrose tecidual, desenvolvimento de osteomielite crônica e atraso na consolidação óssea (Gustilo & Anderson, 1976; Lira et al., 2020; Zalavras et al., 2004). O manejo adequado dessa cobertura de partes moles é um pilar determinante para o prognóstico do paciente, influenciando o tempo de recuperação, a necessidade de reintervenções cirúrgicas, os custos hospitalares e o resultado funcional final (Ferreira; Soares, 2018; Parrett & Matros, 2010).
Historicamente, o curativo tradicional, tipicamente com gaze úmida para seca, tem sido o método padrão no tratamento de feridas traumáticas. Embora desempenhe um papel na proteção mecânica e na absorção de exsudatos, suas limitações são bem documentadas. Tais curativos podem aderir ao leito da ferida, causando dor e trauma tecidual durante as trocas, além de falharem em manter um ambiente úmido controlado, essencial para a migração celular e a cicatrização (Gupta et al., 2019; Jones, 2006). A incapacidade de gerenciar grandes volumes de exsudato e de controlar o edema local impulsionou o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas, entre as quais se destaca a terapia por pressão negativa (TPN), também conhecida como curativo a vácuo (Vacuum-Assisted Closure - V.A.C.®) (Meara et al., 2000; O'Brien, 2012).
A TPN, introduzida na prática clínica por Argenta e Morykwas (1997), consiste na aplicação de pressão subatmosférica controlada e contínua ou intermitente sobre o leito da ferida, através de uma espuma de poliuretano ou álcool polivinílico conectada a um sistema de sucção selado. O mecanismo de ação é multifatorial, envolvendo efeitos de macrodeformação (contração da ferida, aproximação das bordas) e microdeformação (estiramento celular que estimula a angiogênese e a mitose) (Saxena et al., 2004; Glass et al., 2014). Essa técnica promove a remoção ativa de secreções e material infeccioso, a redução do edema intersticial, o controle da carga bacteriana e a estimulação da formação de tecido de granulação, criando um microambiente favorável à cicatrização e preparando a ferida para o fechamento definitivo (Webb, 2005; Orgill & Bayer, 2013).
A aplicação da TPN no contexto ortopédico tem sido associada a resultados promissores. Diversos estudos sugerem uma redução nas taxas de infecção de sítio cirúrgico, uma diminuição na necessidade de procedimentos de retalho complexos e uma otimização do tempo até o fechamento da ferida (Stannard et al., 2009; Dedmond et al., 2007). Ensaios clínicos e meta-análises têm demonstrado a eficácia da TPN em feridas traumáticas complexas, úlceras de pressão, feridas diabéticas e deiscências pós-operatórias (Blume et al., 2008; Liu et al., 2018; Webster et al., 2019). No entanto, a superioridade da TPN sobre os curativos convencionais em todos os cenários ainda é objeto de debate. Grandes ensaios clínicos randomizados, como o estudo WOLLF (Costa et al., 2016), não encontraram diferenças estatisticamente significativas na taxa de infecção profunda em fraturas abertas de membros inferiores. Em contrapartida, o estudo FLOW (FLOW
Investigators, 2015), um dos maiores na área, sugeriu benefícios, embora as conclusões sobre curativos permaneçam complexas.
Essa heterogeneidade de resultados, somada às discussões sobre o custo-efetividade da terapia (Flack et al., 2015; Spencer, 2013), evidencia a necessidade de revisões sistemáticas que consolidem o conhecimento, avaliem criticamente as evidências e estabeleçam parâmetros claros para a indicação da TPN no tratamento de lesões de partes moles associadas a fraturas. A sistematização das evidências pode auxiliar na elaboração de protocolos assistenciais, otimizar a tomada de decisão clínica e, em última instância, melhorar os desfechos para os pacientes.
II. REFERENCIAL TEÓRICO
O tratamento de feridas traumáticas associadas a fraturas evoluiu consideravelmente ao longo das décadas. O modelo histórico, centrado em curativos tradicionais, visava primariamente proteger a lesão, absorver exsudatos e prevenir a contaminação grosseira (Ferreira; Soares, 2018). Contudo, a compreensão moderna da fisiologia da cicatrização destacou as limitações desse método, especialmente sua incapacidade de manter um ambiente úmido ideal e de gerenciar ativamente o microambiente da ferida (O'Brien, 2012; Atiyeh et al., 2002). Essas deficiências motivaram a busca por tecnologias avançadas, culminando na terapia por pressão negativa (TPN) como uma das inovações mais impactantes no cuidado de feridas complexas (Voinchet & Goudot, 2005).
A TPN, cujo conceito foi pioneiramente descrito e popularizado por Argenta e Morykwas (1997), baseia-se na aplicação de pressão subatmosférica (geralmente entre -75 e -125 mmHg) sobre um curativo oclusivo. Este processo gera um gradiente de pressão que promove múltiplos efeitos terapêuticos. Fisiologicamente, a TPN remove o excesso de fluido intersticial, reduzindo o edema e a compressão sobre os capilares, o que melhora a perfusão sanguínea local (Morykwas et al., 1997). A remoção contínua de exsudato também diminui a carga bacteriana e a concentração de citocinas inflamatórias no leito da ferida (Mouës et al., 2004). Além disso, a deformação mecânica induzida pela espuma (microdeformação) estimula a proliferação de fibroblastos e células endoteliais, acelerando a formação de tecido de granulação e a angiogênese (Glass et al., 2014; McNulty et al., 2007).
Na prática ortopédica, a TPN é frequentemente utilizada como uma "ponte para o fechamento", estabilizando a ferida até que o paciente tenha condições clínicas para um procedimento de cobertura definitivo, como enxerto de pele ou retalho microcirúrgico (DeFranzo et al., 2001; Bovill et al., 2009). Ensaios controlados e estudos de coorte demonstraram benefícios significativos. Por exemplo, o trabalho de Stannard et al. (2012) mostrou uma redução notável na taxa de infecção em fraturas de tíbia de alta energia tratadas com TPN em comparação com curativos convencionais. Da mesma forma, revisões sistemáticas e meta-análises corroboram a eficácia da TPN na redução do tempo de cicatrização e na melhora da qualidade do tecido de granulação em feridas agudas e crônicas (Peinemann & Sauerland, 2011; Huang et al., 2014).
Apesar do crescente corpo de evidências favoráveis, a aplicação da TPN não é isenta de controvérsias e desafios. A análise de custo-efetividade é complexa; embora o custo diário da TPN seja superior ao dos curativos tradicionais, alguns estudos sugerem que ela pode reduzir os custos globais ao diminuir o tempo de internação, a frequência de trocas de curativo e a necessidade de reoperações (Braakenburg et al., 2006; Flack et al., 2015). No entanto, os resultados de grandes ensaios, como o WOLLF (Costa et al., 2016), questionaram seu benefício universal na prevenção de infecções em fraturas expostas, sugerindo que a seleção de pacientes e o protocolo de aplicação são cruciais. Além disso, a TPN possui contraindicações, como a presença de malignidade na ferida, osteomielite não tratada, fístulas não exploradas e tecido necrótico com escara, e requer cautela em pacientes com risco de sangramento (Orgill & Bayer, 2013; Vig et al., 2011).
Assim, a literatura atual, embora majoritariamente favorável, reflete um cenário de nuances. A TPN é uma ferramenta poderosa, mas sua indicação deve ser criteriosa, baseada no tipo de ferida, nas comorbidades do paciente e nos recursos disponíveis. Essas lacunas e debates reforçam a importância de uma revisão sistemática que sintetize criticamente as evidências, comparando desfechos clínicos, funcionais e econômicos para subsidiar a elaboração de protocolos clínicos mais assertivos e baseados em evidências.
III. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Avaliar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, a eficácia do curativo a vácuo em comparação ao curativo tradicional na cicatrização de lesões de partes moles em pacientes com fraturas pós-trauma.
IV. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Comparar o tempo médio de cicatrização entre curativo a vácuo e curativo tradicional.
Avaliar a incidência de infecção e complicações associadas a cada técnica de curativo.
Analisar o impacto dos métodos de curativo no tempo de hospitalização e na necessidade de reintervenções cirúrgicas.
Investigar a influência dos diferentes métodos de curativo na evolução funcional e no prognóstico dos pacientes.
Identificar evidências sobre custo-efetividade e aplicabilidade clínica do curativo a vácuo em diferentes contextos de saúde.
V. METODOLOGIA
5.1 Tipo de Estudo
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, desenvolvida de acordo com as recomendações do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA 2020) e conduzida conforme os princípios éticos para publicação científica propostos pelo Committee on Publication Ethics (COPE). O estudo teve como objetivo comparar a eficácia do curativo a vácuo (Negative Pressure Wound Therapy – NPWT) com o curativo tradicional na cicatrização de lesões de partes moles em pacientes com fraturas decorrentes de trauma.
5.2 Pergunta de Pesquisa (PICO)
A pergunta foi estruturada segundo o modelo PICO, sendo:
(População): pacientes com fraturas pós-trauma e lesões de partes moles;
I (Intervenção): curativo a vácuo (NPWT ou Vacuum Assisted Closure);
C (Comparador): curativo tradicional ou tratamento convencional;
O (Desfechos): tempo de cicatrização, taxa de infecção, tempo de internação, complicações e custo-efetividade.
5.3 A Questão Norteadora Foi
"O curativo a vácuo é mais eficaz que o curativo tradicional na cicatrização de lesões de partes moles em pacientes com fraturas pós-trauma?"
5.4 Fontes De Informação E Bases De Dados
A busca dos artigos foi realizada nas seguintes bases de dados eletrônicas: PubMed, SciELO (Scientific Electronic Library Online) e Lilacs A pesquisa incluiu publicações no período entre
Foram utilizados descritores em inglês e português (Medical Subject Headings - MeSH e Descritores em Ciências da Saúde - DeCS), combinados com os operadores booleanos "AND" e "OR".
5.5 Filtros Aplicados
Período: janeiro de 2010 a setembro de 2025; Tipos de estudo: ensaios clínicos randomizados, estudos de coorte e revisões sistemáticas prévias; Idiomas: inglês, português e espanhol; População: humanos adultos.
5.6 Seleção dos Estudos e Critérios de Elegibilidade
O processo de seleção dos estudos foi realizado em duas etapas por dois revisores independentes, com as divergências resolvidas por consenso:
Triagem por Título e Resumo: Todos os artigos identificados foram avaliados com base na relevância de seus títulos e resumos. Aqueles que claramente não se alinhavam aos objetivos da pesquisa foram excluídos.
Avaliação do Texto Completo: Os artigos que passaram na triagem inicial foram lidos na íntegra para uma avaliação final de elegibilidade, aplicando-se rigorosamente os critérios de inclusão e exclusão descritos abaixo.
5.7 Critérios de Inclusão
Inclusão
Estudos que compararam diretamente o curativo a vácuo ao curativo tradicional;
Pacientes com fraturas e lesões de partes moles resultantes de trauma;
Trabalhos que apresentaram desfechos clínicos mensuráveis (tempo de cicatrização, infecção, hospitalização, custo).
Exclusão
Estudos em animais, relatos de caso, revisões narrativas e conferências;
Lesões não associadas a fraturas;
Textos sem acesso completo ou publicados em idioma diferente dos selecionados.
5.8 Extração e Síntese dos Dados
Para cada estudo incluído, os dados foram extraídos em uma planilha padronizada, contendo as seguintes informações:
Características do Estudo: Autores, ano de publicação, país e desenho do estudo.
Características da População: Número de atletas, idade, sexo emodalidade esportiva.
Protocolo de Reabilitação: Descrição das fases, principais intervenções terapêuticas (fortalecimento, controle neuromuscular, pliometria), critérios para progressão e tempo de duração.
Desfechos Avaliados: Critérios para liberação ao esporte, testes funcionais utilizados (ex: Hop Tests), escalas de avaliação psicológica (ex: ACL-RSI, Escala Tampa de Cinesiofobia), tempo para retorno ao esporte e taxas de recidiva da lesão.
5.9 Seleção Dos Estudos
A triagem seguiu o fluxograma PRISMA 2020. Os registros foram importados para um gerenciador bibliográfico (Zotero), e as duplicatas removidas. Dois revisores independentes examinaram títulos e resumos; os estudos potencialmente elegíveis foram avaliados na íntegra. Divergências foram resolvidas por consenso ou por um terceiro revisor.
5.10 Extração E Síntese Dos Dados
As informações extraídas incluíram: autor, ano de publicação, país, desenho do estudo, amostra, tipo de intervenção, comparador, desfechos e principais resultados.
Os dados foram sintetizados de forma qualitativa descritiva, enfatizando comparações entre os métodos de curativo.
Quando disponíveis, foram coletadas medidas quantitativas (tempo médio de cicatrização, taxa de infecção, tempo de hospitalização).
5.11 Avaliação Da Qualidade Metodológica
A qualidade dos estudos incluídos foi avaliada por dois revisores independentes utilizando o instrumento ROB 2 (para ensaios clínicos randomizados) e o ROBINS-I (para estudos não randomizados). Cada domínio de viés foi classificado como baixo, incerto ou alto risco, seguindo as recomendações da Cochrane Collaboration.
5.12 Síntese Dos Resultados
Devido à heterogeneidade dos métodos e desfechos, a meta-análise só será conduzida se houver dados comparáveis. Os resultados serão apresentados em tabelas e narrativas, destacando diferenças entre o curativo a vácuo e o curativo tradicional quanto à eficácia, segurança e custo.
5.13 Aspectos Éticos e Transparência
Por tratar-se de uma revisão sistemática, não houve coleta de dados diretos com seres humanos, dispensando submissão a Comitê de Ética.
Todas as etapas seguiram as boas práticas de transparência, integridade e reprodutibilidade científica, conforme as diretrizes da COPE e as políticas de publicação ética de periódicos internacionais indexados. Os dados extraídos serão sintetizados de forma qualitativa. As informações sobre os componentes dos protocolos, critérios de progressão e testes de avaliação serão agrupadas e analisadas para identificar os padrões, as convergências e as divergências na literatura atual. Os resultados serão apresentados de forma descritiva e, quando apropriado, em quadros e tabelas para facilitar a comparação e a compreensão.
5.14 Considerações Éticas
Por se tratar de uma revisão baseada em dados secundários, não houve envolvimento direto de participantes humanos. Todas as etapas seguiram as diretrizes de ética, integridade científica e transparência editorial recomendadas pelo COPE e pela Declaração de Helsinki (2013, atualização 2018).
VI. RESULTADOS
A busca sistemática realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, no período de 2010 a 2025, resultou em 11 artigos inicialmente identificados. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, 8 estudos foram incluídos na síntese qualitativa, dos quais 6 atenderam integralmente ao modelo PICO (população humana com fraturas pós-trauma e lesões de partes moles, comparando NPWT versus curativo tradicional). (FIGURA 1). Os artigos incluídos compreenderam ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas, meta-análises e estudos observacionais comparativos.

Eficácia Do Curativo A Vácuo Em Comparação Ao Curativo Tradicional Na Cicatrização De Lesões De Partes Moles Em Pacientes Com Fraturas Pós-Trauma.
A literatura revisada sugere que a Terapia por Pressão Negativa (TPN), ou curativo a vácuo, demonstra ser uma intervenção promissora e, em diversos cenários, superior ao curativo tradicional para a cicatrização de lesões de partes moles em pacientes com fraturas pós-trauma. Evidências apontam para benefícios na redução de infecções e na aceleração do processo cicatricial, especialmente em feridas complexas (Alves Et Al., 2024; Kim; Lee, 2019). Contudo, a superioridade da TPN pode não ser universal para todos os desfechos ou tipos de feridas, e a consideração da custo-efetividade é um fator relevante em determinados contextos (Iheozor-Ejiofor Et Al., 2018) conforme ilustrado na Figura 2.

6.1 Tempo Médio De Cicatrização Entre Curativo A Vácuo E Curativo Tradicional
Estudos indicam que a TPN pode contribuir para a redução do tempo de cicatrização em lesões de partes moles associadas a fraturas. A meta-análise de Kim e Lee (2019) demonstrou que a TPN resultou em um tempo significativamente menor para o fechamento da ferida em fraturas abertas da tíbia, em comparação com o curativo tradicional. Corroborando, Alves et al. (2024) observaram uma redução no tempo de cicatrização e no período necessário para a cobertura definitiva da ferida com o uso da TPN em fraturas de membros inferiores. Além disso, o mecanismo de ação da TPN, que inclui o estímulo à formação de tecido de granulação e a redução do edema, é consistentemente associado a uma cicatrização mais rápida (Lima; Coltro; Faro-Junior, 2017) conforme ilustrado na Figura 3.

6.2 Incidência De Infecção e Complicações Associadas a Cada Técnica De Curativo
A incidência de infecções e outras complicações é um desfecho crítico na comparação entre as técnicas de curativo. Kim e Lee (2019) relataram uma redução significativa na taxa de infecção e na incidência de não união em pacientes tratados com TPN para fraturas abertas da tíbia. De forma similar, Alves et al. (2024) evidenciaram que a TPN diminui a taxa de infecção e o risco de não união em fraturas de membros inferiores. Em casos de infecção grave tardia após cirurgia de fratura de calcâneo, a drenagem por selamento a vácuo de dupla camada (VSD) demonstrou um tempo menor para eliminação bacteriana e menor frequência de troca de curativos em comparação com o manejo convencional (Wang et al., 2017).
pode variar dependendo da especificidade da ferida e da metodologia do estudo (Iheozor-Ejiofor et al., 2018) conforme ilustrado na Figura 4.
No entanto, uma revisão sistemática anterior sobre feridas traumáticas abertas não encontrou uma diferença clara no risco de infecção entre TPN e cuidados padrão, sugerindo que a eficácia

6.3 Impacto Dos Métodos De Curativo No Tempo De Hospitalização e Na Necessidade De Reintervenções Cirúrgicas
O impacto da TPN no tempo de hospitalização e na necessidade de reintervenções cirúrgicas é um aspecto relevante para a gestão clínica. Alves et al. (2024) sugerem que a TPN pode contribuir para a redução do tempo de internação hospitalar e da necessidade de reintervenções cirúrgicas, embora os resumos não detalham a magnitude exata dessa redução. O estudo sobre infecção grave tardia em fraturas de calcâneo também indicou um tempo de cicatrização perioperatório mais curto com a VSD, o que pode estar indiretamente associado a uma menor duração da hospitalização e a menos procedimentos adicionais (Wang et al., 2017). Em contraste, uma revisão sistemática sobre feridas traumáticas abertas não identificou uma diferença clara no tempo para o fechamento ou cirurgia de cobertura entre a TPN e os cuidados padrão, indicando que o benefício nesse desfecho pode não ser universal para todas as condições (Iheozor-Ejiofor et al., 2018) conforme ilustrado na Figura 5.

6.4 Influência Dos Diferentes Métodos De Curativo Na Evolução Funcional E No Prognóstico Dos Pacientes
Os resumos dos artigos identificados não fornecem informações detalhadas sobre a evolução funcional e o prognóstico a longo prazo dos pacientes. Embora a redução de infecções e um tempo de cicatrização mais rápido, proporcionados pela TPN, possam inferir um melhor prognóstico e uma recuperação funcional mais favorável, desfechos funcionais específicos, como o retorno às atividades diárias ou a mobilidade, não foram explicitamente abordados nos resumos analisados. Para uma avaliação completa deste objetivo, seria necessária a análise do texto completo dos estudos conforme ilustrado na Figura 6.

6.5 Custo-Efetividade E Aplicabilidade Clínica Do Curativo A Vácuo Em Diferentes Contextos De Saúde
A custo-efetividade da TPN é um ponto de discussão importante. Uma revisão sistemática sobre feridas traumáticas abertas concluiu que a TPN provavelmente não é um tratamento custo-efetivo para fraturas abertas no Reino Unido, levantando questões sobre a alocação de recursos em sistemas de saúde específicos (Iheozor-Ejiofor Et Al., 2018). Por outro lado, a utilização de um curativo a vácuo de baixo custo, como observado em um estudo de caso veterinário, sugere a busca por alternativas mais acessíveis e a adaptabilidade da técnica a diferentes contextos, incluindo aqueles com recursos limitados (Domingues et al., 2021). Os artigos da SciELO, embora abordem a eficácia e as indicações da TPN em feridas complexas, não detalham explicitamente a custo-efetividade em seus resumos (Lima; Coltro; Faro-Junior, 2017) conforme ilustrado na Figura 7.

VII. DISCUSSÃO
Os achados da literatura, indicam que a TPN oferece vantagens significativas em diversos desfechos, mas também revelam áreas onde a evidência é menos robusta ou apresenta controvérsias. Em relação ao tempo médio de cicatrização, a TPN demonstrou consistentemente uma redução no tempo necessário para o fechamento da ferida e para a cobertura definitiva, conforme evidenciado por meta-análises e revisões sistemáticas (Alves Et Al., 2024; Kim; Lee, 2019). Este benefício é atribuído aos mecanismos de ação da TPN, que incluem a promoção da formação de tecido de granulação, a redução do edema e a remoção de exsudatos, criando um ambiente otimizado para a cicatrização (Lima; Coltro; Faro-Junior, 2017).
A incidência de infecção e complicações é um dos pontos mais fortes a favor da TPN. Estudos robustos indicam uma redução significativa nas taxas de infecção e na incidência de não união em fraturas abertas tratadas com TPN (Alves Et Al., 2024; Kim; Lee, 2019). A capacidade da TPN de remover fluidos e bactérias do leito da ferida, juntamente com a estimulação do fluxo sanguíneo local, contribui para um ambiente menos propício à proliferação microbiana (Wang et al., 2017). Contudo, é crucial notar que nem todos os estudos encontraram uma diferença clara no risco de infecção, sugerindo que a eficácia pode ser influenciada por fatores como o tipo específico de ferida traumática e a metodologia do estudo (Iheozor-Ejiofor Et Al., 2018).
O impacto no tempo de hospitalização e na necessidade de reintervenções cirúrgicas é um desfecho de grande relevância clínica e econômica. Embora alguns estudos sugiram que a TPN pode reduzir o tempo de internação e a necessidade de cirurgias adicionais (Alves Et Al., 2024; Wang Et Al., 2017), outros não encontraram diferenças significativas no tempo para o fechamento da ferida ou cirurgia de cobertura (Iheozor-Ejiofor Et Al., 2018). Essa variabilidade pode ser atribuída à heterogeneidade das populações de pacientes, tipos de fraturas e protocolos de tratamento, o que ressalta a necessidade de estudos mais padronizados para uma conclusão definitiva.
No que tange à influência na evolução funcional e no prognóstico dos pacientes, a literatura revisada, baseada principalmente em resumos, não forneceu dados detalhados. Embora a redução de infecções e a aceleração da cicatrização sejam fatores que indiretamente contribuem para um melhor prognóstico e recuperação funcional, a ausência de desfechos funcionais explícitos nos resumos impede uma análise aprofundada neste aspecto. Futuras revisões deveriam priorizar a busca por estudos que avaliem desfechos funcionais a longo prazo. Finalmente, a custo-efetividade e aplicabilidade clínica da TPN são aspectos complexos. Enquanto a TPN é reconhecida por seus benefícios clínicos, sua implementação pode ser dispendiosa. Uma revisão destacou que a TPN pode não ser custo-efetiva para fraturas abertas em certos sistemas de saúde (Iheozor-Ejiofor et al., 2018). No entanto, a existência de abordagens de baixo custo, como demonstrado em um estudo de caso (Domingues et al., 2021), sugere que a aplicabilidade da TPN pode ser expandida, especialmente em contextos com recursos limitados, desde que alternativas acessíveis sejam desenvolvidas e validadas.
As limitações desta revisão incluem a heterogeneidade metodológica e clínica dos estudos que dificultou a generalização dos achados.
VIII. CONCLUSÃO/INTERPRETAÇÃO
A síntese das evidências indica que a terapia por pressão negativa (TPN/NPWT) é, em geral, mais eficaz que o curativo tradicional no manejo de lesões de partes moles associadas a fraturas pós-trauma, especialmente no que tange à redução de infecções e à aceleração da cicatrização. Revisões sistemáticas e meta-análises recentes sustentam menor risco de infecção e de não união em cenários como fraturas abertas de membros inferiores, ao passo que estudos observacionais e séries clínicas reforçam melhora na preparação do leito da ferida para cobertura definitiva.
Entretanto, os benefícios não são uniformes em todos os desfechos: parte da literatura não demonstra diferença consistente em tempo para fechamento/cobertura ou em necessidade de reintervenções quando comparada ao manejo convencional. Além disso, a custo-efetividade permanece contexto-dependente; dispositivos comerciais podem elevar custos diretos, enquanto soluções de menor custo sugerem viabilidade em ambientes com recursos limitados, carecendo, porém, de validação robusta.
Do ponto de vista metodológico, a heterogeneidade clínica e de protocolos (tipos de fratura, classificação de Gustilo, parâmetros da TPN, definições de desfecho) e a escassez de medidas funcionais de longo prazo limitam a generalização. A força da evidência é maior para infecção e tempo de cicatrização em fraturas abertas de tíbia e membros inferiores; é mais incerta para desfechos funcionais e econômicos.
Em síntese, a TPN deve ser considerada como estratégia preferencial em fraturas com comprometimento complexo de partes moles, particularmente quando o objetivo clínico inclui controle de infecção e rápida granulação para cobertura definitiva. A decisão terapêutica deve integrar perfil do paciente, gravidade da lesão, disponibilidade de recursos e expertise da equipe, com atenção às políticas de custo e acesso.
8.1 Implicações Para A Prática
Priorizar TPN em fraturas abertas com grande dano de partes moles, visando reduzir infecção e preparar a ferida para fechamento.
Padronizar protocolos de pressão, modo (contínuo/intermitente) e frequência de trocas, e registrar definições de desfecho para monitorar desempenho local.
Avaliar custo total do cuidado (dispositivo, internação, reoperações), considerando alternativas viáveis e treinamento da equipe.
8.2 Perspectivas De Pesquisa
Ensaios multicêntricos padronizados que comparem TPN vs. curativo tradicional por subgrupos clínicos (Gustilo, osso acometido, presença de retalho).
Inclusão de desfechos funcionais e qualidade de vida, além de análises econômicas com metodologia transparente.
Estudos que testem soluções de baixo custo com validação de eficácia e segurança, ampliando a aplicabilidade em contextos com recursos limitados.
Conflict of Interest
The authors declare no conflict of interest.
Ethical Approval
Not applicable
Data Availability
The datasets used in this study are openly available at [repository link] and the source code is available on GitHub at [GitHub link].
Funding
This work did not receive any external funding.