Published On December 13, 2024

The Restoration of Modern Furniture by Karl Heinz Bergmiller for the Itamaraty Palace

Dr. Fernanda Freitas Costa De Torres
Dr. Fernanda Freitas Costa De Torres
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Research ID 727ZV

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Abstract

This article seeks to contribute to the dissemination of the history of Brazilian design through the modern furniture developed by designer Karl Heinz Bergmiller, to compose the administrative environments of the Itamaraty Palace, in Brasília, in the 1960s and 1970s. Rescuing its history and memory, dialoguing with interface of design knowledge, education and its relationship with the preservation of Brazilian cultural heritage, aims to promote the democratization of access to movable cultural assets integrated into modernist architecture. Through a restoration project carried out by the Research Center in Modern Furniture of the Federal Institute of Brasília (IFB) Samambaia campus, through a Technical Cooperation Agreement between IFB and the Ministry of Foreign Affairs (MRE) and with the support of the University of Brasília (UnB), research was carried out on documents, drawings, photographs and production methods of the time. To this end, the IFB School of Modern Furniture Restoration Workshop, through a teaching, research and extension action in the thematic area of ​​cultural heritage and recovery of movable cultural assets, recovered part of the Itamaraty Palace collection, signed by Karl Heinz Bergmiller.

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I. INTRODUÇÃO

Brasília possui um dos maiores e mais expressivos acervos do mobiliário moderno brasileiro. Nos interiores dos Palácios, encontramos obras de Oscar Niemeyer e de sua filha Anna Maria, Sérgio Rodrigues, Bernardo Figueiredo, Joaquim Tenreiro, Lina Bo Bardi, Jorge Zalszupin, Karl Heinz Bergmiller, Elvin Dubugras e de tantos outros profissionais, brasileiros e estrangeiros, que contribuíram para a constituição, reconhecimento e valorização do mobiliário moderno brasileiro e que, em Brasília, encontraram um espaço privilegiado para acolher sua produção.

De acordo com Santos (2015), a partir da década de 1930 houve um movimento de transição pautado por uma revisão de influências externas e pela valorização das formas e materiais de origem nacional, ao mesmo tempo que o processo de industrialização em implantação torna-se alicerce para o país, representando assim, um período de mudança para o programa modernista do mobiliário. Já a década de 1950 mostrou um momento político e economicamente bastante favorável às iniciativas ligadas à produção industrial. A construção de Brasília consistiu em importantes incentivos para a validação e consolidação da arquitetura moderna, bem como para o desenvolvimento do desenho industrial. A chancela definitiva para o movimento moderno na arquitetura e no design talvez tenha sido o convite a diversos arquitetos e designers para projetarem os mobiliários e a ambientação de interiores dos edifícios administrativos da nova capital. Poucas cidades podem se orgulhar de abrigar um acervo tão representativo do movimento moderno que dialoga, complementa e enriquece o patrimônio edilício, urbanístico e paisagístico da cidade.

Visando a preservação, a conservação e o restauro desse rico acervo, o grupo de pesquisa Núcleo de Pesquisa em Mobiliário Moderno do Instituto Federal de Brasília (IFB) campus Samambaia, no Distrito Federal, composto por professores, pesquisadores e estudantes, vivencia a experiência da pesquisa constante relacionada à história do mobiliário desenvolvido para Brasília. Tem como procedimento básico de estudo o levantamento histórico e artístico e seu contexto, assim como o levantamento iconográfico e da legislação. Realiza também o levantamento estrutural do estado de conservação, onde a intervenção física, quando necessária, se dá através de ações de restauração, conservação, manutenção, revitalização, reabilitação e reconstrução, através da Oficina Escola de Restauro de Mobiliário Moderno.

Para tanto, este trabalho relata pesquisa que foi realizada acerca dos mobiliários modernos das décadas de 1950 e 1960, pertencentes ao acervo do Palácio do Itamaraty de autoria de Karl Heinz Bergmiller e seu respectivo restauro. Para tal, utilizou-se o método do estudo de caso exploratório, por meio de análises de documentos, em pesquisa de campo, e o restauro de vinte bens.

II. O PALÁCIO DO ITAMARATY

O Palácio do Itamaraty (ou Palácio dos Arcos) é a sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE), da nova Capital do Brasil, inaugurado em 1967, e foi o último dos palácios a ser construído em Brasília. É um edifício público, com parte de seu espaço aberto à visitação diariamente e, semelhante a um museu, possui ações culturais e educativas, o prédio e seus ambientes, pois é um importante projeto de Oscar Niemeyer com paisagismo de Burle Marx no interior e no entorno, e abriga um acervo de obras de arte, objetos e mobiliário de diferentes épocas da história do país. Seu rico acervo é composto por obras de renomados artistas e designers brasileiros, como Athos Bulcão, Bruno Giorgi, Candido Portinari, Debret, Franz Weissmann, Manabu Mabe, Mary Vieira, Milton Dacosta, Tommie Ohtake, Volpi, Alfredo Ceschiatti, Victor Brecheret, Maria Martins, Anna Maria Niemeyer, Sérgio Rodrigues, Bernardo Figueiredo, Joaquim Tenreiro, Karl Heinz Bergmiller, dentre outros, e é representativo da criatividade brasileira desde o barroco até o contemporâneo.

À época da construção do palácio, a mobilização dos artistas e designers brasileiros foi coordenada por Wladimir Murtinho, chefe da Comissão de Transferência do Ministério das Relações Exteriores para Brasília, e por Olavo Redig de Campos, chefe do Serviço de Conservação e Patrimônio que, em contato direto com Oscar Niemeyer, visavam garantir que o projeto de arquitetura e interiores não só atendesse às necessidades do cerimonial do Estado, e suas particularidades, mas, como um órgão de representação da diplomacia brasileira, o Palácio Itamaraty se mostrasse ao mundo totalmente brasileiro.

Em relação ao mobiliário moderno, especialmente desenhado e produzido para as salas administrativas do palácio, era prerrogativa que se harmonizassem ao ambiente palaciano, composto por salas de pé direito elevado e grandes dimensões. Por outro lado, já que os móveis modernos figuravam ao lado de peças antigas, era necessário que, fosse nos materiais empregados, fosse no alto nível do desenho e execução, não perdessem em conforto comparados aos dos séculos anteriores, mas que, pelo contrário, o contínuo desenvolvimento e a qualidade do móvel nacional. Para tanto, tendo em vista a necessidade de conservar uma unidade na decoração original do Palácio do Itamaraty, que ficou a cargo de apenas quatro profissionais: Sérgio Rodrigues, Bernardo Figueiredo, Joaquim Tenreiro e Karl Heinz Bergmiller. Bernardo Figueiredo se referia aos projetos de mobiliários que fazia para o Palácio como "linha palaciana", em oposição aos seus projetos de peças de uso residencial e de escritório, termo que pode ser estendido para Tenreiro e Sérgio Rodrigues, (Revista da ABD, 2017).

Segundo texto de apresentação da Exposição "Desenhando um Palácio" (2018), o MRE, desde 1926 até 1968, encomendou peças de mobiliário especialmente adaptados às suas rotinas, criando, em seus palácios sede, ambientes para desempenhar as três funções da diplomacia: informar, negociar e representar o Brasil.

A função "informar" tem o objetivo de manter o governo brasileiro informado sobre tudo que possa interessar ao país. A representação do país no exterior, por meio dos diplomatas, acompanha informações acerca de economia, novas tecnologias e técnicas, entre outros assuntos que venham a contribuir para o desenvolvimento social e econômico, assim como busca oportunidades de divulgação da cultura e dos produtos e serviços brasileiros.

Já a função "negociar" é a "essência da atividade diplomática", na qual os representantes diplomáticos se sentam à mesa para defender os interesses de seus países. A arquitetura de interiores do Palácio Itamaraty faz algumas referências a essa importante atividade da diplomacia.

Por fim, a função "representar" é um dos deveres dos diplomatas. Atividades de representação são cerimônias que marcam momentos importantes da vida diplomática e política. Os palácios do Rio de Janeiro e de Brasília servem com eficiência para as atividades de representação, pois têm salões adaptados para diferentes formatos de cerimoniais, e por possuírem acervo de arte e design que mostra a riqueza e a variedade das artes e da manufatura brasileira (SCOZ; MAYNARDES; 2019).

O mobiliário do MRE visava a criação ambientes para a representação, mas, especialmente, para a negociação:

Quanto aos móveis, foram desenhados segundo as exigências da diplomacia. As pessoas que vivem no palácio, explica o embaixador Murtinho, muitas vezes são de idade. Se você os senta numa Mies Van Der Rohe, não conseguem mais se levantar. Também é necessário que se possa falar-lhes ao pé do ouvido ou traduzir-lhes uma conversa. Nossas poltronas são, portanto, fartas e sem rebuscamento inútil. Salvo pelo salão de recepção do ministro – onde elas são rijas, incômodas, intimidantes. Não se visita o ministro para brincar. É necessário um certo aparato (Revista da ADB, 2017, pg 21).

Segundo SCOZ; MAYNARDES (2019), os projetos de mobiliário desenvolvidos para o palácio, em sua maioria, foram pensados exclusivamente para o uso interno do MRE e não tiveram produções comercializadas. Assim, muitas peças ou coleções são únicas e estão em plena utilização em ambientes de trabalho. Exemplo disso são as poltronas do Auditório Wladimir Murtinho produzidas por Hermann Müller; as mesas, cadeiras, poltronas e os sofás dos gabinetes do Ministro e embaixadores, de Sérgio Rodrigues; os inúmeros móveis de escritório, projetados por Karl Heinz Bergmiller; e as Cadeiras Arcos, de Bernardo Figueiredo, entre outros.

Uma das características mais marcantes da coleção de mobiliário do Palácio é a junção de traços modernos com peças antigas. Até hoje, ao menos cem peças de famosos designers brasileiros estão em uso ao lado de tapeçarias, luminárias, quadros e móveis, vindos de todo o Brasil e de diferentes épocas. O Itamaraty também possui uma grande quantidade de móveis de escritório dos anos 1970 e 1980, demonstrando a evolução do desenho industrial; e fazendo parte da historiografia do design brasileiro.

III. O MOBILIÁRIO DE KARL HEINZ BERGMILLER

Karl Heinz Bergmiller, nasceu em 1928, na Alemanha. Formado em desenho industrial na Hochschule Für Gestaltung (Escola Superior da Forma) em Ulm, foi um dos precursores do Desenho Industrial Moderno instalado no Brasil na década de 1960. Ao lado de Geraldo de Barros e Alexandre Wollner, participou de um dos primeiros escritórios de design, o Forminform, com o intuito de tocar projetos de caráter de produção industrial. Em 1959 mudou-se para o Rio de Janeiro e se envolveu na estruturação da Escola Superior de Desenho Industrial, a ESDI, que seguia uma proposta pedagógica com orientação técnico-produtiva e funcionalista, tendo por referência conceitos formais de Max Bill por intermédio da sua atuação Juntamente com Sérgio Rodrigues e Bernardo Figueiredo, Karl Heinz foi chamado para desenvolver o mobiliário dos blocos representativo e administrativo do Palácio do Itamaraty, projetou uma mesa que pudesse ser utilizada quando ultrapassasse o limite de convidados no salão de Banquetes em eventos e comemorações e tivessem que avançar para o terraço do Palácio. Já para o bloco administrativo, projetou mesas de escritório e de apoio com especificidades funcionais dentro dos conceitos de "padrão", tão difundidos à época. Alguns desenhos dos móveis de Bergmiller ainda se encontram conservados no Departamento de Arquitetura e Engenharia do Palácio Itamaraty. As escrivaninhas, assim como as mesas de datilografia e os carrinhos volantes são as peças que encontramos com mais frequência e que ainda estão em uso. A maioria dos móveis possui uma estrutura fixa básica: tubo de aço de seção retangular pintado de preto e peças padronizadas em madeira laminada (SCOZ; MAYNARDES; 2019).

Segundo Souza (2019) poucos trabalhos profissionais na área do design evidenciaram influência tão acentuada da escola HfG-Ulm como o de Karl Heinz Bergmiller. Na ESDI, passou pouco tempo, cerca de dois anos. Desenvolveu um trabalho intenso, notável, no curso fundamental. Definiu ideias e princípios básicos desse setor da Escola a ponto de muitos anos depois de sua partida, ainda se constituir em parâmetro de rigor e qualidade. No escritório Forminform. iniciou suas atividades em São Paulo que, juntamente com Alexandre Wollner, tinham a ideia de "aplicar na prática o que se propunha em Ulm: um design de sentido amplo, em uma empresa de serviços que integrasse as áreas de desenho industrial e comunicação visual" (SOUZA, 2019). Ao mesmo tempo, havia a intenção de se trabalhar em arquitetura de interiores e processos de racionalização pensava que isso poderia parecer pretensioso para a época; há cerca de cinquenta anos, porém, era absolutamente coerente com as ideias gerais de um país que se considerava projetado para o futuro. Para a Unilabor, fábrica de móveis modernos que adotou a forma de uma comunidade de trabalho, conduzido por frei João Batista Pereira dos Santos, Bergmiller desenvolveu uma mesa elástica, e dizia que a empresa, durante as décadas de 1950–60, fabricou móveis destinados a um consumo médio, com qualidade artesanal, os quais não apresentavam elementos supérfluos, sempre projetados racionalmente. A Unilabor recebeu apoio de empresários, intelectuais e artistas de São Paulo e entre seus principais colaboradores estava Geraldo de Barros, responsável pelo design da maioria dos móveis lá produzidos.

Para o Palácio Itamaraty, Bergmiller projetou vários tipos de móveis de escritório, todos em virtude de algumas prerrogativas funcionais (móveis de escritório e toda a sua gama de sub-funcionalidades de uso) e de fabricação. A maioria dos móveis possui uma estrutura fixa básica: tubo de aço de seção retangular pintado de preto e peças padronizadas em madeira laminada. Essa "estrutura base" projetada por Bergmiller se tornou símbolo dos conceitos funcionalistas utilizados para a industrialização dos produtos da Escriba, empresa na qual trabalhou e que é responsável por grande parte do mobiliário presente no Palácio. A partir desse padrão é que se instituiu toda uma linha de mobiliário de escritório que compôs o catálogo da Escriba e que mobiliou também o Palácio Itamaraty. Nos arquivos do Palácio existem algumas pranchas que contêm os desenhos técnicos assinados pelo designer e datadas de 1968 (SCOZ; MAYNARDES; 2019).

IV. O PROJETO DE RESTAURO DO MOBILIÁRIO MODERNO DE KARL HEINZ BERGMILLER

A conservação do patrimônio cultural sob todas as suas formas e em todos os seus períodos históricos está enraizada nos valores atribuídos ao próprio patrimônio (Conferência de Nara de 1994).

Para tanto, na Oficina-escola restauro de mobiliário moderno do Instituto Federal de Brasília foram recuperadas cerca de dez peças de mobiliário moderno de alguns ambientes do bloco da administração do Palácio Itamaraty, onde se localiza a maioria dos escritórios pertencentes ao Palácio. Ali existem coleções com muitas modelos de diferentes funções: mesas para reuniões e de apoio, mesas de escritório, escrivaninhas, sofás, entre outras, sendo que alguns estão em uso desde 1967.

O projeto de restauro do mobiliário moderno de Karl Heinz Bergmiller tem como objetivo principal a preservação do bem cultural, onde o design e a educação atuam como mediação cultural na preservação do patrimônio brasileiro. O projeto baseou-se nos princípios da mínima intervenção, autenticidade, distinguibilidade, reversibilidade, valores simbólicos e o registro, para o retorno do bem cultural ao uso, não somente como coleção e exposição.

Na Oficina-escola restauro de mobiliário moderno é vivenciada a experiência da pesquisa constante na história do mobiliário desenvolvido para Brasília, aprofundando os conhecimentos em preservação, conservação e em um restauro exigente, de acordo com as demandas de cada bem cultural. E também pesquisas históricas do mobiliário moderno, através de levantamento iconográfico e de legislação.

O diagnóstico realizado é sempre minucioso (Figura 1), traz um Levantamento estrutural bem detalhado do estado de conservação do Bem e uma proposta de intervenção técnica. A intervenção física, quando necessária, se dá através de ações de restauração, conservação, manutenção, revitalização, reabilitação e reconstrução e, por fim, a documentação do restauro.

Figura 1: Aparador - mobiliário no estado de conservação encontrado para perícia, antes da intervenção Fonte: acervo IFB. Foto: André Zimmerer

No projeto de restauro do mobiliário moderno de Karl Heinz Bergmiller recuperou-se mesas de reunião e mesas de apoio escrivaninhas, aparadores e carrinhos volantes. Durante a perícia de diagnóstico das peças, havia predominantemente: manchas generalizadas, sujidade, mossas e perda de material, acabamento danificado e com lascas, peças quebradas com perda de pigmentação, puxadores danificados, metais com perdas de pigmentação, falta de prateleiras. Algumas peças apresentavam etiquetas originais da Escriba na parte inferior.

Durante o projeto de restauro realizou-se—a identificação de autoria, higienização, desmontagem, remoção de acabamento, lixamento, em seguida ao lixamento foi produzida uma massa com selador e o pó do lixamento para o preenchimento de falhas e buracos existentes por calafetação (processo de preenchimento através da aplicação de massa própria), assim como o enxerto de lâminas de madeira, troca de laminado, regulagem das gavetas, troca de parafusos, acréscimo de puxador para gaveta, acréscimo de plataforma de madeira entre a parte superior e a base de metal, pintura manual de pontos esbranquiçados, colagem em rachadura na gaveta, aplicação de pintura de coloração original e cera em todas as partes em todas as partes (Figuras 2, 3 e 4).

Fonte: acervo IFB. Foto: André Zimmerer

Figura 2, 3: Oficina de restauro no IFB, processos de intervenção no mobiliário

Fonte: acervo IFB. Foto: André Zimmerer

Figura 4: Aparador - mobiliário restaurado e pronto para o uso

V. CONCLUSÃO

Entende-se que o design é tangível e intangível; é também político e carrega consigo a cultura inerente ao homem, assim como a história do patrimônio cultural brasileiro. As criações de design contam histórias e trazem memórias do contexto em que se inserem, nesse sentido, estão diretamente conectadas com os produtos voltados para a valorização do patrimônio brasileiro. O design se concentra em processos para gerar valor do bem cultural, como um sistema e como uma experiência. Ou seja, o design para o patrimônio cultural oferece uma visão sistêmica de valorização (LUPO,2009).

A partir do entendimento da relação do design com a valorização da cultural, torna-se necessário que a educação patrimonial seja um dos instrumentos de mediação cultural para que haja efetiva valorização e preservação da cultura brasileira.

A contribuição do designer Karl Heinz Bergmiller para a difusão e concretização do design no Brasil. Ele permanecerá na história como um designer que impulsionou a profissão e marcante principalmente no mobiliário exclusivo para o

Palácio Itamaraty de Brasília onde, até o momento, foram identificadas cinco modelos/linhas.

Por isso, acredita-se que o Palácio do Itamaraty pode ser considerado hoje um grande museu onde se encontram peças que contam a história do mobiliário brasileiro, desde o período colonial, passando pela pré-industrialização, pós industrialização até os dias atuais. Isso não é só importante apenas como registro, mas para que as novas gerações conheçam e saibam que parte da história do design brasileiro está aqui na capital do Brasil e que permaneceu por estes longos anos.

Para tal conhecimento e reconhecimento, o bem cultural móvel, que continuará em uso, necessita muito mais do que o reconhecimento do seu valor histórico, necessita de medidas que viabilizem a sua perpetuação através do tempo, através dos projetos de conservação e restauro que precisam ser vistos como uma ação de política pública.

Esse foi mais um desafio do projeto de restauro, recuperar ícones exclusivos da história do mobiliário moderno, sua memória e valor como patrimônio cultural, algumas vezes peças únicas, desenvolvidas na década de 1960, que estiveram em uso no decorrer dos últimos 50 anos, e muitas vezes sem a preservação preventiva adequada. E após o projeto de restauro, retornou ao mesmo local, e continuará em pleno uso por autoridades políticas do Brasil.

AGRADECIMENTOS

Ao apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Distrito Federal (IPHAN DF), ao apoio da Fundação de Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e ao Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Conflict of Interest

The authors declare no conflict of interest.

Ethical Approval

Not applicable

Data Availability

The datasets used in this study are openly available at [repository link] and the source code is available on GitHub at [GitHub link].

Funding

This work did not receive any external funding.

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  • LCC Code: P35
  • Version of record

    v1.0

  • Issue date

    13 December 2024

  • Language

    pt

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Research Article
CC-BY-NC 4.0
LJRHSS Volume 24 LJRHSS Volume 24 Issue 15, Pg. 55-63
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